Tribuna Expresso

Perfil

Opinião

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

E à segunda jornada, o Benfica carrega sobre a arbitragem

Nicolau Santos escreve sobre Manuel Oliveira, o árbitro criticado por Luís Filipe Vieira e Rui Vitória

Nicolau Santos

Comentários

Partilhar

A procissão ainda mal saiu do adro mas à segunda jornada, friso, à segunda jornada, o Sport Lisboa e Benfica já está a assestar baterias sobre a arbitragem a propósito do empate que concedeu em casa frente ao V. Setúbal.

Apesar do golo da igualdade ter acontecido através de um penálti aos 83 minutos que o treinador do V. Setúbal, José Couceiro, contesta (eu não; a mim parece-me penálti), o certo é que no final Rui Vitória, que é um homem sereno, lá teve de referir que “o árbitro não foi eficaz”.

Bom, quem também não foi eficaz nas decisões iniciais foi Rui Vitória, ao colocar de início Pizzi no meio, no apoio a Mitroglou. A coisa não correu bem nem para Pizzi, que vinha a fazer boas exibições nas alas e ali não rendeu nada, nem para Mitroglou, que tirando uma bela cabeçada, nada mais fez de relevante. Por outras palavras, com este esquema, Rui Vitória deu meio tempo de avanço ao Vitória de Setúbal, mas sobre isso (corrigido apenas aos 57 minutos com a entrada de Jiménez e a saída de Cerci, o novo menino de ouro que desta vez passou ao lado do jogo) nada se ouviu.

É claro que após o golo de Frederico Venâncio quando faltavam pouco mais de 20 minutos para o fim do encontro, os 60 mil adeptos que dão como adquirido que a conquista do tetra vai ser um mero passeio triunfal, começaram a roer as unhas, a enervar-se e, claro, a atirar-se ao árbitro, por causa de “outro” penálti que não marcou, por causa do guarda-redes do Setúbal (despachado pelo Benfica e recém-chegado do Rio 2016) que defendia tudo e demorava as reposições de bola em jogo, por causa de só terem sido dados 4 minutos de descontos, enfim, o costume. O povo assobiou que se fartou, o Benfica lá empatou de penálti (e vai o primeiro do ano – vamos contar quantos serão) e depois ficou tudo muito descoroçoado porque o Lindelöf atirou à trave ao cair do pano e a trave devia ter atirado a bola com a mão ou a cabeça para dentro da baliza.

Foi seguramente por causa de tudo isto – e não, claro, por causa de um tal de Jonas que não jogou e que costuma marcar, dar ou marcar ou abrir espaços para outros marcarem – que também o presidente do Sport Lisboa e Benfica se dirigiu, no final do jogo (relato do jornal “Record”) – “ao sítio onde estavam o vice-presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, João Ferreira, o responsável da APAF, Luciano Gonçalves, e o observador do árbitro, Natálio Silva”, com os seguintes dizeres, segundo a mesma fonte: “É uma vergonha! Como é que nomearam este tipo? Não queremos mais aqui este tipo! Já não bastou o que fez no ano passado aqui (vitória do Benfica sobre o Rio Ave por 3-1)! Isto é uma vergonha!”

Ora muito bem. A ser verdade o relato do “Record” isto parece-se um bocadinho com uma pressão elevada sobre o Conselho de Arbitragem, a Associação dos Árbitros e sobre o delegado ao jogo, quiçá para atribuir uma nota negativa a Manuel Oliveira, afastando-o assim de mais alguma vez, até ao fim dos séculos, vir a apitar um jogo do Sport Lisboa e Benfica.

Veremos, portanto, a nota que o árbitro vai receber. E veremos se Manuel Oliveira será mais alguma vez nomeado para dirigir um jogo do Benfica. Entretanto, e para memória futura, fica registado: logo à segunda jornada, o presidente do clube da Luz começou a pressionar os órgãos nacionais que tutelam a arbitragem. É bonito e promete. Se esta Liga não for um passeio para o tetra benfiquista desconfio que vamos ter mais destes números. Afinal, o choradinho sobre a arbitragem começa em quem ia ganhar isto com uma perna às costas.