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As “olimpíadas” continuam: regresso à escola

Ana Bispo Ramires

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Setembro representa, desde sempre, o reinício da época escolar e desportiva. Centenas de milhares de crianças e jovens reiniciam aquelas que vão ser as suas duas áreas de maior investimento: Académica e Desportiva (esta última, infelizmente, ainda não para todos).

É, por isso, uma época especial onde se traçam metas, se desenvolvem planos e se fazem promessas de um cada vez maior compromisso - é, por excelência, uma época de novas oportunidades, de maturação, de ganho de confiança. Paradoxalmente é, de igual forma, terreno fértil para a integração de um conjunto de experiências de afeto negativo, de deficiente treino de resistência à frustração e, por estas mesmas razões, de insucesso e consequente decréscimo de autoestima.

Sabemos já há algum tempo, que as novas gerações estão em processo de treino de skills de multitasking (estudam a ver televisão, enviar mensagens Whatsapp e consultar o Instagram/Facebook), que são mais hábeis do ponto de vista cognitivo, técnica e tecnologicamente mais evoluídas... porém, mais pobres de afetos, com menor capacidade de empatia (o seu "espelho" é, maioritariamente, um visor de telemóvel, monitor de computador ou um ecrã de televisão) e com deficiente capacidade de resistência à frustração.

Sabemos também, que existe um agravamento substancial de comportamentos aditivos, seja na direção das redes sociais, de jogos online, séries, entre outros.

Neste enquadramento, é de fácil entendimento termos todos os ingredientes necessários para o insucesso nas metas inicialmente traçadas.

Por todas estas razões esta é, por excelência, uma época em que todas as atenções estão viradas, para as crianças e jovens.

O que, na realidade, é um ERRO, por se tratar quase de uma inversão naquelas que deveriam ser as prioridades.

Não há orquestra que se "eleve" sem o maestro, não há equipa que se distinga sem o seu líder/treinador, não há sala de aula que evolua sem o professor... e não há criança que consiga ser feliz e com sucesso académico/desportivo sem encarregados de educação empenhados.

Todos eles são, sem exceção, Atletas... perdão, SUPER ATLETAS!

Na realidade, e dirigindo a nossa atenção para os Encarregados de Educação, a sua preocupação com o "bem-estar" (ou aquilo que entendem por...) das crianças e jovens chega a ser, muitas vezes, desadequado - desadequado por implicar um enormíssimo "desfoco" daquelas que são as suas próprias necessidades... Às vezes, as mais básicas e que garantem os seus "mínimos olímpicos" de energia (repouso, alimentação e exercício).

Por tudo isto... sim, é importante que se estabeleçam metas e se planeiem os degraus que a criança/jovem deve percorrer até lá chegar mas, ainda mais importante que isso, os Encarregados de Educação devem:

1) olhar para si próprios, respeitar e investir nos seus recursos energéticos.

2) estabelecer metas pessoais, conjugais (se se aplicar) e parentais para esta "nova época desportiva" - só assim treinarão compromisso, ação, frustração... novo compromisso, nova ação, nova frustração... ao longo dos próximos 10 meses!... Só assim poderão, também, compreender "por dentro" o processo que as crianças/jovens irão passar - um processo DESEJÁVEL a um CRESCIMENTO e MATURAÇÃO SAUDÁVEIS

3) Acordarem entre si (e, por que não, com o diretor de turma?), que competências os seus educandos deverão adquirir (mais autonomia? Mais empatia? Mais envolvimento comunitário? Mais motivação?) e porque experiências deverão passar (desporto? Escuteiros? Voluntariado?), durante este período, para potenciar o seu crescimento

4) procurarem novas formas de fazerem evoluir as suas competências parentais

e, não menos importante

5) planearem (agendarem!) momentos de prazer, sem pressões nem tensões, sem distrações, onde a família consiga estar (por escassos trinta minutos que sejam) junta, numa qualquer atividade "de equipa" (porque não, uma caminhada semanal?).

Bom... Assim dito, até parece fácil... não o é na realidade... não se consegue todos os dias mas, por vezes, se se determinar a ser um "Pai Olímpico" (super atleta mesmo), só esta consciência permite colocar um pouco mais de "intenção" nas suas ações, mudando "pequenos nadas" mas, conseguindo gigantes alterações no funcionamento estrutural do seu agregado familiar!

Urge, por isso, que se comece a mudar a perspetiva do que é ser "Encarregado de Educação" (pai, mãe, avô, avó, tia... seja qual for o parentesco) mas, esta mudança começa, necessariamente de dentro para fora... As pessoas que estão neste papel devem, por isto mesmo, querer experienciá-lo de uma outra forma até porque, com isto, tornar-se-ão o melhor exemplo possível para as crianças/jovens que procuram inspirar.

E, então, ACEITA este DESAFIO?

A Psicologia da Performance encontra-se especificamente direcionada para o delineamento de planos específicos de treino de competências psicológicas, para a promoção de desempenhos de excelência, através da elevação das capacidades psico-emocionais e físicas dos sujeitos, em contextos de superação (desportivo, académico, empresarial e Vida, de uma forma geral).