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Maria João Xavier

Maria João Xavier

Ex-jogadora e ex-diretora de futebol

A ascensão e queda do 1º Dezembro, um pequeno que podia ter sido grande

Maria João Xavier

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Ao fim de uns anos, volta-se a ouvir o nome da Sociedade União 1º Dezembro, a propósito da eliminatória da Taça de Portugal de mais logo, tendo como opositor o Benfica.

No longínquo ano de 2003, calhou em sorte o Sporting, na mesma Taça. Por essa altura, começa o nome do clube de Sintra a andar nas bocas da comunicação social, mas não pela equipa masculina: por conta das conquistas da sua equipa feminina!

O longo reinado no panorama do futebol feminino nacional tinha começado na época 2001/2002, com conquista de Campeonatos Nacionais, Taças de Portugal e participações consecutivas na Liga dos Campeões feminina, só terminando na época 2011/2012, depois de um conjunto de decisões controversas que conduziram à extinção da equipa sénior feminina.

Nesse longo reinado, a equipa feminina do 1º Dezembro foi projectando o clube quer a nível nacional, quer a nível internacional, dimensão nunca alcançada com mais nenhuma equipa do clube.

As inúmeras conquistas permitiram que um clube centenário tivesse o seu tempo de antena (e financiamento), por via da sua equipa feminina.

A realização, em Sintra, em dois momentos diferentes (2004 e 2011) dos torneios de qualificação para a Liga dos Campeões feminina possibilitou a vinda de um conjunto de equipas europeias de grande nome, representantes da UEFA e outras entidades que regressavam aos seus países sempre deliciados com a hospitalidade, clima e gastronomia da região.

Até que tudo o que foi construído em mais de uma década teve um fim abrupto - mas a determinado momento antecipado. As ações de retaguarda de uma direção, então liderada por Fernando Cunha, que sempre sonhou em ter na sua equipa sénior masculina a equipa mais representativa, foram de tal forma incisivas que depressa se percebeu que só acabando com a equipa feminina este sonho podia, pelo menos nas mentes dos elementos diretivos, tornar-se uma realidade.

O fim da equipa feminina tornou-se numa realidade e com isso acabou-se o tempo de antena do centenário clube.

As justificações dadas na altura não eram mais que falsas questões com a promessa de um regresso em breve! Claro que também se sabe que esse regresso é uma ilusão e não vai ocorrer.

O capital de experiência acumulado em conjunto com as conquistas históricas foram simplesmente ignorados. Posto isto, alguém voltou a ouvir falar no 1º Dezembro? Que me recorde, ainda foi notícia pelo possível encaixe financeiro de um investidor chinês... mas depois eclipsou-se.

Só de pensar nas mudanças que ocorreram nos últimos anos no futebol feminino, com a criação da Liga feminina Allianz... O 1º Dezembro não teve competência para manter a sua equipa mais representativa em competição. Foi uma decisão completamente disparatada e, como se constata, a equipa masculina, que compete no Campeonato de Portugal Prio, não tem nem traz projeção de relevo ao clube.

A exceção a esta verdade foi a sorte do sorteio da Taça de Portugal, por ter de enfrentar o tricampeão nacional.

Mas essa atenção é breve... amanhã ja ninguém se lembra daquele clube simpático lá para os lados de Sintra. Como este cenário poderia ser tão diferente se a decisão em 2012 tivesse sido outra!

E é pena!