Tribuna Expresso

Perfil

Opinião

Rui Lança

Rui Lança

Professor

Mourinho, como é que vais resolver isto?

Rui Lança

Partilhar

O melhor psicólogo são as vitórias. Frase que vamos ouvindo dos treinadores. Mas neste momento percebemos que, a José Mourinho e ao Manchester United, faz falta algo mais para lá das vitórias. E elas até podem ajudar a chegar ao destino que Mourinho tanto preconizou no início da sua aventura por Manchester. Mas percebemos que a equipa precisa de algo mais e rapidamente. Compromisso individual e coletivo, porque o conjunto de erros individuais e da equipa durante os jogos e que dão azo a golos dos adversários são de quem, ou não está totalmente comprometido, ou então, pode e deve estar muito mais!

Como é que José Mourinho vai dar a volta? Numa época normal, o jogo de hoje (Manchester United vs Manchester City, 20h, Sport TV1) seria apenas mais um jogo. Percebe-se que é frente ao rival da cidade e contra um dos seus rivais individuais, o catalão Pep Guardiola. Mas porque a época não corre de feição (aos dois), acredito que Mourinho irá colocar hoje mais titulares do que numa época normal em que o United provavelmente iria em primeiro ou em segundo e não a seis pontos de distância do City.

O jogo de hoje pode permitir que Mourinho vença não apenas um jogo, mas proporcione uma alavanca motivacional à equipa que está a precisar para elevar os índices de foco e compromisso. O discurso de Mourinho é demasiado impositivo. Raras são as suas frases que não tenham destinatários externos, sejam eles a Federação Inglesa, os outros clubes, outros treinadores. Percebe-se que esta sempre foi uma das estratégias preferidas de Mourinho e resultou eficazmente nas suas passagens no Porto, Inter de Milão ou Chelsea. Já teve mais dificuldades em Madrid e na última época ao serviço do Chelsea. O estilo não é mau ou bom. Na época 2014/15 serviu. Depois, algo de estranho aconteceu. E esta época?

OLI SCARFF/Getty

Bem, estes jogadores não têm a ‘fibra’ de lutadores por causas como Mourinho gosta de criar e incentivar. Não basta vencer e jogar bem, para Mourinho faz parte fazê-lo contra algo ou para provar outro algo. Porto, Chelsea e Inter de Milão. A receita teve como denominador comum um discurso de provar que aqueles jogadores – desconhecidos ou dados como acabados – poderiam e deveriam aproveitar aquela oportunidade para provar algo. Para mostrar que naqueles países quem seriam os reis seria o português e os seus mosqueteiros.

Mas para isso é preciso o jogador sentir essa luta como sua. Como afirmava o treinador dos All Blacks, se um jogador não sentir o objetivo como seu, nunca dará o suficiente para tornar aquela luta na sua principal missão. E observando os jogos do United percebe-se que o principal papel de Mourinho atualmente é esse.

Acredito que a parte técnica e tática tenham um peso fundamental no elevar os desempenhos. Mas os jogadores não são maus. Custaram milhões (isso também pode não ajudar), deve existir uma discrepância em termos de ordenados brutal, mas José, como encontrar o chip para colocar aqueles jogadores a lutar como os do Porto, os de Londres ou de Milão o fizeram, é o principal desafio. O discurso só pode ser de guerra quando os jogadores tiverem prontos para ir para a guerra. Até lá…não dá!