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O presidente do Sporting prometeu que iria acalmar-se nas suas intervenções, mas a verdade é que não o fez. Há qualquer coisa que não bate certo, porque o lado mau sobrepor-se-á inevitavelmente ao bom se os fins não forem justificados pelos meios – se o conteúdo não for melhor do que a forma

Pedro Candeias

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Cuspiu, não cuspiu, agiu, reagiu, confrontou, foi confrontado, disparou primeiro, disparou depois, insultou, foi insultado, empurrou, foi empurrado, foi à casa de banho no final do jogo e comer um prego ao intervalo. Falou em búfalos e rebanhos de ovelhas e já antes falara em abutres, que não eram bem abutres, mas algo a meio caminho entre o felino e uma ave – o grifo, talvez.

Acusaram-no de ter feito uma espera ao senhor de cabelos todos brancos e outro, por ele, acusou o senhor de cabelos todos brancos de o ter tentado agredir. Dissertou sobre o pavio curto que queima e o fumo do cigarro eletrónico que irrita, como há uns dias já dissera que os talheres incomodam.

Foi então que pediu ‘aquela’ força que se pede aos adeptos para um presidente que não tem medo de ninguém, que chega para todos eles, venham eles, sejam lá eles quem forem, embora o mais provável é que provenham do outro lado. Mas não do outro lado da Segunda Circular, como se costumava dizer, porque Alvalade não tem nada a ver com Carnide, o lugar onde esvoaça a águia-leão telecomandada.

No meio deste Zoo, há uma equipa que se bateu de igual para igual com o Real e com o Dortmund, três jogos que perdeu porque a vida é assim mesmo, há desigualdades que são estruturais. E essa mesma equipa está a cinco pontos do líder do campeonato, contra o qual ainda não jogou uma só vez este ano mas ao qual venceu três dos quatro jogos disputados na época passada – dois jogos são seis pontos e seis pontos, num bom cenário, chegam para o primeiro lugar.

E também há um clube que fora dado como perdido, nas contas e nos títulos, de quem os rivais condescendiam como se condescende dos coitados e dos impotentes, porque dali não viria mal ao mundo – e esse clube deixou de existir e no seu lugar está outro, a pressionar quem vai à frente, que ressuscitou a mais velha e importante das rivalidades da bola à portuguesa, criando a incerteza e a dúvida nos resultados porque é mais competente do que antes era.

E esse é, sobretudo, o mérito de um homem. Do mesmo homem das alegorias, das metáforas, das escatologias e trocadilhos e das baforadas.

Há qualquer coisa que não bate certo, porque o lado mau sobrepor-se-á inevitavelmente ao bom se os fins não forem justificados pelos meios – se o conteúdo não for melhor do que a forma.

Só conhecemos o Dr. Jekkyll porque ele esconde o Mr. Hyde.