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Dez pontos para explicar a Lei 1

Este é o primeiro de 18 artigos em que o ex-árbitro Duarte Gomes descomplica as Leis de Jogo. A primeira é a primordial: “Terreno de Jogo”

Duarte Gomes

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Porque o prometido é devido, fiquem então com umas pinceladas (apenas isso, umas pinceladas) sobre o que de mais importante há a dizer, a saber e a aprender sobre o palco onde tudo acontece. Onde a magia dá lugar à realidade.

Prometo poupar-vos a alguns dos pormenores mais técnicos (na Lei 1, a do “Terreno de Jogo”, há um sem fim de medidas e distâncias que os árbitros estão obrigados a conhecer).

Mas vamos ao que interessa, em dez pontos.

1. O terreno deve ser de superfície natural ou artificial. Relva ou sintético. Nalguns casos ainda, pelado (terra batida), embora a cor deva ser verde. Mas isso já sabiam.

2. Aquilo que conhecem como“linha de fundo” chama-se, na verdade, linha de baliza. A outra, mais longa, é a lateral. Obviamente.

3. O terreno de jogo é dividido em duas partes iguais, através da linha de meio campo. Aí é traçada uma linha de uma lateral à outra. Sim. Eu sei que esta também era fácil. Mas sabiam que o círculo que existe no centro do campo tem um raio de 9.15m? Bem me pareceu. Na realidade, a linha do meio campo faz sentido por vários fatores. Deixo aqui dois dos mais importantes:
a) Colocar cada equipa no lado a que pertencem no início e reinício de cada partida (quando começa o jogo, na 2P ou após golos, por exemplo);
b) Aferir o local a partir do qual se inicia a análise dos fora de jogo (já reparam que os árbitros assistentes só se movimentam entre a linha de meio campo e a de baliza, certo?);
c) Já o círculo central serve para que os adversários de quem executa os pontapés de saída estejam todos à distância certa: a pelo menos 9.15m da bola (sim, tal como acontece na distância mínima a que devem estar as barreiras, nos pontapés livres). O ponto marcado lá no meio é onde se coloca a bola para cada um desse momentos (esta era difícil);

4. Mais coisas. Todas as linhas do campo devem ter a mesma espessura (no máximo 12 cm). E as de baliza devem ser do mesmo tamanho da espessura de postes e barra.

5. A Lei 1 fixa também medidas máximas e mínimas para o tamanho global do terreno de jogo. Mas os campos podem ter outras, desde que não ultrapassem aquelas e têm que estar especificadas no regulamento de competições respetivo (por exemplo, a UEFA e a Liga Portugal definiram outras dimensões).

6. De entre muitas e muitas dimensões e medidas que podíamos escalpelizar (não vamos, já tinha prometido), deixo aqui apenas uma ou duas mais curiosas e interessantes: a marca de penálti tem que estar a 11 m de cada baliza, as bandeiras de canto devem ter no mínimo 1,5 m e a sua haste não pode ser pontiaguda (não vá alguém aleijar-se). Outra bem gira: a baliza tem mais de sete metros de cumprimento e de dois de altura. Ainda assim, é enorme para quem defende um penálti e tão pequena para quem o executa...

7. Os jogadores suplentes e elementos técnicos devem estar sentadinhos (alegadamente, vá) e apenas uma pessoa (uma só, seja ela quem for) pode dar instruções à equipa... de pé. Têm um espaço simpático, chamado "área técnica", onde podem movimentar-se para esse fim. Esta é uma daquelas em que teoria e prática raramente estão de acordo. Esta coisa da razão e da emoção estarem sempre de costas viradas não tem solução fácil.

8. Há pouco falei-vos da dimensão (grosso modo) das balizas. Mas fiquem a saber também que, por ser a casa onde tudo acontece, responsável por tanta alegria e tanta lágrima, elas tem as suas exigências. Para facilitar, imaginem-nas como duas irmãs gémeas. O que uma tem, a outra copia. Querem ser brancas, as duas. Sempre brancas. Se o poste ou barra de alguma delas se partir, pára tudo. Ou se arranja como deve ser ou fim de jogo. São muito cúmplices também. Querem estar bem fixas ao solo, mesmo que sejam amovíveis (convém, porque elas são pesaditas... além disso, ninguém entenderia um golo marcado se uma delas estivesse colada à bandeira de canto!).

9. Estão a ver como há muita coisa para saber? Bem, finalmente já está consagrada a permissão para se utilizar o sistema da Tecnologia de Linha de Baliza (TLB), para determinar quando é ou não marcado um golo (situações de dúvida).

10. Por último: a publicidade no terreno e ao seu redor (seja física e real ou apenas virtual) tem regras exigentes. Há momentos e locais em que são ora autorizadas, ora proibidas. E há outros em que nunca são permitidas. A promoção/industrialização do jogo são fundamentais mas têm limites.

Nota final. Sabia que, se algum jogador fizer marcas ou traçar linhas não permitidas no terreno, vê o cartão amarelo? Não vamos ofender quem tem a nobre tarefa de marcar o campo antes dos jogos, certo?

Para a semana, estamos de regresso, com a Lei 2. Sabem qual é? Não? Fica uma dica: é redonda, muito jeitosa e faz a delícia dos miúdos