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Nicolau Santos

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Diretor-Adjunto

Com o Chaves é vitória ou vitória! Dupla

Nicolau Santos

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O Sporting ganhou 2-1 ao Feirense. Foi o regresso às vitórias e um triunfo importante depois do que se passou nos últimos jogos. Mas foi uma vitória sofrida, em esforço, depois de parecer que ia ser um passeio. O espantoso é que tudo mudou após a lesão de Adrien, cerca da meia hora de jogo, quando já vencíamos por 2-0. Ora um campeão não pode estar dependente de um jogador, mesmo que seja o capitão. E não pode depender apenas de um goleador, que é responsável por 44% dos golos da equipa.

O Sporting vinha abalado da derrota de Setúbal para a Taça CTT e consequente eliminação. Como já escrevi, o penálti que o árbitro marca aos 93 minutos é escandaloso. E é ver o que aconteceu no Guimarães-Benfica aos 89 minutos, num lance bem mais claro e em que nada foi assinalado, para se constatar como os critérios flutuam ao sabor dos homens do apito, beneficiando de forma consistente o clube da Luz. Mas nessa altura já o Benfica ganhava por 2-0 (com um segundo golo em que o árbitro dá a lei da vantagem ao Guimarães e não devia ter dado…)

Mas as diferenças que se tem vindo a constatar entre os dois rivais da segunda circular é que 1) o Benfica passou metade do campeonato sem o principal goleador, chegou a ter também Mitroglou e Jiménez lesionados, e foi ganhando bem, assim, mal e porcamente e, nos casos mais difíceis, com a ajuda dos árbitros; 2) a sua capacidade de marcar golos espalha-se por seis ou sete jogadores; normalmente, marca mais que um, depois enrola a manta e passa a viver dos rendimentos; 3) no Sporting, se o Bas Dost não marca, parece não haver quase ninguém que saiba o caminho da baliza; 4) o Sporting anda há demasiado tempo a marcar nenhum ou apenas um golo por jogo – e quando assim é, qualquer erro da nossa defesa ou do árbitro, que dê em golo, torna-se muitíssimo difícil ou mesmo impossível de reverter; 5) sempre que Adrien não está, temos tremideira ou engasgadela pela certa, se bem que o Sporting já tenha perdido com ele em campo durante os 90 minutos.

Ora, volto ao princípio. O Sporting perdeu os defesas-direitos do início da época (Schelotto e João Pereira), o guarda-redes (Patrício), o defesa central (Semedo), os defesas-esquerdos (Zeegelaar, Jefferson). Tem feito adaptações (Esgaio na direita, Douglas e Paulo Oliveira no centro, Bruno César na esquerda, Beto na baliza) e não se pode dizer que a equipa se tenha ressentido de forma clara. Contudo, quando tentou uma alternativa para Adrien (Elias), os resultados não só foram dececionantes como negativos. Contra o Real Madrid foi ele que fez a falta que deu origem ao golo de empate, contra o Borrusia Dortmund deixou o meio-campo das alemães jogar a seu bel-prazer, agora contra o Feirense conseguiu fazer-se expulsar, depois de após a sua entrada o domínio do Sporting se ter esvaído e o ritmo do jogo ter caído abissalmente. E quando Jorge Jesus tentou fazer descansar Bas Dost, dando o lugar a Castaignos ou a André, a coisa foi de meter medo ao susto.

Digamos, pois, que a dupla jornada que se aproxima com o Chaves – e que será decisiva para o resto da época – vai pôr à prova a sageza de Jorge Jesus como treinador e a fibra da equipa como potencial campeã. No meio campo, sem Elias (castigado) e provavelmente sem Adrien (lesionado), veremos se é dada oportunidade a um menino da formação sportinguista, Palhinha. Há muito quem o elogie. Arrisquemos. Apostemos nele. Demos oportunidade a um dos nossos, que sente a camisola. E há também Francisco Geraldes, que está emprestado ao Moreirense (e marcou ao FC Porto). Não temos uma das melhores formações do mundo? É a altura de provar isso mesmo.

O Sporting tem de ganhar os dois jogos em Chaves para manter esperanças na Liga e para seguir em frente na Taça de Portugal. Quaisquer outros resultados que não duas vitórias lançarão a equipa numa profunda crise, colocarão em risco a continuidade de Jorge Jesus e lançarão sombras sobre a reeleição de Bruno de Carvalho, além de fazerem regredir o Sporting no caminho de aproximação a Benfica e FC Porto que vinha trilhando. Não é pouco o que está em jogo. Espero que a equipa técnica e os jogadores estejam cientes da importância do que aí vem. Os adeptos, como se viu no jogo contra o Feirense, continuam a estar com a equipa e a apoiá-la sem reservas. Está na altura da equipa retribuir e de alguém dar um grito de revolta: vitória ou vitória!