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Marco Grieco

Marco Grieco

Diretor de Arte

Prometi tornar-me vegetariano, prometi deixar crescer um bigode e prometi nunca mais escrever sobre o Porto. E, no entanto...

Marco Grieco, diretor de Arte do Expresso, nascido brasileiro e portista de coração, diz o que espera do jogo desta noite de promessas entre o FC Porto e a Juventus

Marco Grieco

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Era uma promessa e as promessas são para cumprir. Será que são?

Prometi que me iria tornar vegetariano – culpa do documentário “Cowspiracy” – e consegui ignorar a tentação dos bifes sangrentos e dos gordurosos enchidos por mais de dois longos e sacrificantes meses.

Prometi cultivar um farfalhudo bigode – em homenagem ao meu saudoso avô portista – e resisti a tamanho calvário de comichões até ontem, data em que o velhote teria completado 93 anos.

E prometi não queimar mais neurónios nem pestanas com ilações e difamações acerca da armada Azul e Branca – e cá estou eu a debitar carateres, a horas dos “nossos” oitavos de final na Liga dos Campeões.

Mas afinal que Futebol Clube do Porto é este, findo o interregno autoinfligido?

O que mudou na equipa desde a última vez que gastei a ponta do lápis a imprimir opinião sobre os comandados de Nuno, o tal dos desenhos impercetíveis?

Pouco ou nada, seria a resposta mais óbvia.

Mas, inesperadamente, este é um Porto de espírito renovado e de volta à luta pelo título dentro de portas – talvez mais por incompetência alheia do que por méritos próprios, diga-se – e ainda com sonhos concretos e viáveis fora delas.

Para mim, este é um Porto surpreendente, cujas peças acabaram por evoluir muito mais do que o seu conjunto ou sistema. Uma mescla entre experiência e juventude que até pode singrar. Será?

Hoje, contra a Vecchia Signora, não tenho ilusões de espetáculo nem de um resultado esclarecedor. Mas tenho a certeza de que vamos desenvolver um futebol tão ou mais cínico do que o da reconhecida escola italiana.

Não fazemos questão de controlar a posse de bola nem de massacrar com inoperantes pendores atacantes. Antes, seremos traiçoeiros, matreiros, letais.

Nos três confrontos anteriores entre estas duas centenárias potências europeias, o Futebol Clube do Porto nunca foi capaz de levar de vencida a Juventus de Turim. Fomos derrotados na final da Taça das Taças de 1984 e não conseguimos melhor do que um empate e uma derrota na fase de grupos da Champions de 2000/2001, meses antes da chegada do futuro “Special One”, José Mourinho.

Duas Ligas dos Campeões para cada lado e um palmarés conjunto de mais de 130 títulos nacionais e internacionais – 74 para o FCP e 63 para a Juve – prometem, mas não garantem, um bom jogo de futebol.

Quase 124 anos de história de um clube vencedor, nascido da paixão de um jovem comerciante de vinho – e fundado no dia em que o rei D. Carlos completava 30 anos –, contra quase 120 anos de um clube vencedor, idealizado por alunos de um liceu de Turim também não garantem 180 minutos de emoção.

O que eu garanto é que duas das atuais defesas mais eficientes da Europa não vão facilitar o trabalho de Soares – nosso mais recente abono de família – e companhia, nem de Higuaín e seus asseclas.

Prometo não roer as unhas ou cofiar o bigode que, afinal, já não tenho. Será?

Sit vis nobiscum…