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Duarte Gomes

Duarte Gomes

ex-árbitro de futebol

A penúltima Lei de Jogo. Lei 16 - O Pontapé de Baliza

Duarte Gomes

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Com a lei 16 entramos na penúltima das Leis de Jogo.

Quem diria? Dezasseis semanas a procurar que os nossos leitores conheçam um pouco melhor, tudo o que há para saber sobre as normas do futebol.

Apenas para quem acha que isso possa ser importante, legitimando a liberdade de opinar e criticar... fundamentadamente.

Lei 16 - O Pontapé de Baliza

Quando é que é assinalado um pontapé de baliza?

Quando a bola ultrapassa por completo (quer por alto quer rente ao solo), a linha de baliza, tocada em último lugar por um jogador da equipa atacante.

Aqui exclui-se, obviamente, a situação em que ela ultrapassa a linha entre os postes e por debaixo da barra (porque aí seria golo).

Pode um golo ser marcado diretamente de um pontapé de baliza?

Sim, mas apenas na baliza adversária.

Na própria nunca (mesmo que, em teoria, a bola tivesse saído da área e

por ação do vento, voltado para trás e entrado na própria baliza - aí seria apenas pontapé de canto).

Como deve ser executado este pontapé?

A bola deve estar totalmente imóvel e a execução pode ser executada em qualquer ponto da área de baliza (pequena área), por um qualquer jogador defensor.

A bola só entra em jogo quando sai da área de penálti (grande área), para dentro do terreno de jogo.

Todos os adversários devem, nesse momento, estar no exterior da área.

Se a bola tocar num jogador antes de sair da área, o pontapé de baliza será repetido (porque considera-se que ainda não tinha entrado em jogo).

Se, após a bola entrar em jogo, o executante voltar a toca-la uma segunda vez sem que ninguém o tenha feito antes, será punido com pontapé livre indireto (no local do segundo toque).

No entanto, se esse contato for feito com as mãos, será punido com pontapé livre direto ou pontapé de penálti (caso esse toque ocorra no interior da sua área).

Exceção: se esse segundo toque (com as mãos) for feito na área mas pelo GR que executou o pontapé de baliza, a sua equipa será punida com pontapé livre indireto (não poderia ser com penálti, porque, aí, ele tem a faculdade de jogar a bola com as mãos ou braços).

Se um jogador adversário estiver colocado no interior da área de penálti no momento em que o pontapé de baliza é executado (e tocar / disputar a bola antes de esta ter tocado noutro jogador), o pontapé deve ser repetido.

Se um jogador entrar na área de penálti antes de a bola estar em jogo e cometer ou sofrer uma falta, o pontapé de baliza é repetido e o jogador infrator pode ser advertido ou expulso, dependendo do tipo de infração que cometa.

Repetido porquê? Porque a bola só entra em jogo quando sai da área. Não se esqueçam!

Punido porquê? Porque o facto de a bola ainda não estar em jogo não invalida qualquer eventual sanção disciplinar que um jogador venha a merecer.

E pronto. Despachada a penúltima regra.

Para a semana, a derradeira lei de jogo.

A décima sétima.

Depois disso, uma crónica especial para falarmos da que não existe nos livros mas que deve estar sempre presente na mente e no coração dos árbitros: a do bom senso.

Boa semana!