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O que mais faltará para haver uma intervenção firme no desporto?

Ana Bispo Ramires

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Pais envolvidos em situações de pancadaria, árbitros agredidos, dirigentes em declarada "guerra psicológica", claques a entoar cânticos associados a um trágico acidente de aviação, desejando a morte aos seus rivais... e, lamentavelmente, um adepto morto numa situação de atropelamento e fuga...

De repente, parece que já ninguém se interessa, genuinamente, pelo jogo... parece que, toda a lógica se inverteu e, lamentavelmente, os protagonistas deixaram de ser os Atletas.

Assistimos, infelizmente, a uma espécie de "treino" de agressividade em escalada onde, NÃO HAVENDO CLARAS REPERCUSSÕES (adeptos, claques, clubes...), todo este tipo de eventos começa a ser aceite como "normal".

Até que ponto tudo isto é aceitável? Até quando as entidades responsáveis aguardarão para intervir? Até que ponto todos nós, maioria silenciosa, não devemos também intervir (deixando de ir aos estádios por exemplo)?

Desde quando, o futebol se terá transformado neste cenário dantesco onde, aparentemente, o "jogo" deixou de ter interesse para passar a ser uma desculpa para descarregar as frustrações do dia-a-dia?

De facto, a sucessão dos últimos acontecimentos torna este TEMA PREOCUPANTE, seja pela escalada em termos de frequência ou de intensidade.

Será que a morte de uma pessoa, nas circunstâncias bizarras de um atropelamento e fuga, não é já motivo suficientemente assustador (em termos de proporções) para que os dirigentes dos clubes (de todos eles!) se sentem a uma mesa, POR RESPEITO a um VALOR que se chama VIDA, e discutirem formas de intervirem e educarem as suas claques e adeptos?

De facto, algo está a mudar neste desporto, OUTRORA CONTEXTO DE CONVIVÊNCIA FAMILIAR.

Urge, de facto, uma REFLEXÃO RESPONSÁVEL SOBRE ESTA MATÉRIA. Urge que se tomem MEDIDAS PEDAGÓGICAS DESDE OS ESCALÕES DE FORMAÇÃO, PASSANDO POR PAIS, CLAQUES E ADEPTOS EM GERAL.

Urge que alguém, genuinamente, se importe com esta matéria que, sem uma INTERVENÇÃO FIRME E CONSISTENTE, responsabilizando duramente todo e qualquer envolvido ou mesmo parcialmente responsável, irá ser, lamentavelmente, cada vez mais o DNA do nosso Desporto... um "desporto" que já nada partilha com os valores fundamentais outrora vigentes.

Não se entende, acima de tudo, desde quando é que tudo isto se tornou "aceitável" e "mundano", desde quando esta espécie de ANESTESIA GERAL se AGIGANTOU e O QUE FALTARÁ para Dirigentes deixarem de lado as cores do seus clubes e demonstrarem que, de facto, esta não é a identidade do desporto que defendem para si e para o contexto em geral.

Já chega, de fato, de discutir os "Porquês" é preciso dar o exemplo e encontrar os "Comos?".

Precisamos, urgentemente, de uma LIDERANÇA com ELEVADAS COMPETÊNCIAS EMOCIONAIS, que se COMPROMETA com ESTA CAUSA e UNA Dirigentes, Treinadores, Atletas, Claques, Adeptos e "simples" Fãs do Desporto, numa CAUSA que é, afinal, de TODOS NÓS.

A Psicologia da Performance encontra-se especificamente direcionada para o delineamento de planos específicos de treino de competências psicológicas, para a promoção de desempenhos de excelência, através da elevação das capacidades psico-emocionais e físicas dos sujeitos, em contextos de superação (desportivo, académico, empresarial e Vida, de uma forma geral).