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Miguel Cadete

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Diretor-Adjunto

Porque é que Jorge Jesus não rende no Sporting?

Miguel Cadete, diretor-adjunto do Expresso, faz o balanço da Liga 2016/17 no que diz respeito ao Sporting

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Jorge Jesus cumpre a sua segunda época no Sporting, mas ainda não conseguiu conquistar o campeonato

PATRICIA DE MELO MOREIRA/GETTY

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Na melhor das hipóteses, o Sporting vai terminar este campeonato com 73 pontos. Para isso ainda tem que ganhar os dois jogos que faltam. Mas, mesmo nesse cenário optimista, o clube de Alvalade acabará a época com menos 13 pontos do que no ano passado. Mais surpreendente: ainda que ganhe ao Feirense (hoje, às 20h30) e ao Chaves, na derradeira jornada, fará menos três pontos do que há dois anos.

Essa foi a época em que a equipa era treinada por Marco Silva, vindo do Estoril Praia e em trânsito para a Grécia, onde se sagrou campeão com 22 vitórias à 24ª jornada. No Sporting, no seu primeiro e último ano, acabou o campeonato a nove pontos do Benfica. Ficou em terceiro mas ainda conquistou a Taça de Portugal. Como se sabe, foi despedido. Este ano, a equipa não vai ganhar nem a Liga nem a Taça e ficará a uma distância semelhante, senão maior, do campeão.

Há dois anos, a única justificação para o despedimento de Marco Silva era precisamente a distância a que tinha deixado o Sporting do líder. A contratação de Jorge Jesus era audaz no sentido em que virava a mesa e procurava alterar o status quo que então ameaçava eternizar-se. A jogada era de tal maneira astuta que iria colar, pela sua dimensão e impacto, o futuro do presidente ao do treinador. Afinal, Jorge Jesus passaria a ser o 11º treinador mais bem pago do mundo. O destino de um, com algumas semanas de diferença, será o mesmo do outro. Na vitória e na derrota.

Sucede que esse status quo, sabemos hoje, acabou mesmo por se eternizar. Se, no ano passado, o Sporting ainda lutou até ao final pelo título, este ano a diferença para o primeiro alargou-se consideravelmente. Até ao jogo com o Belenenses ainda era possível, oniricamente, pensar que caso tivesse ganho os dois jogos com o Benfica, o Sporting estaria em primeiro lugar. Cenários hipotéticas, ou a história feita com “ses”. A verdade é que dos dois campeonatos disputados pelo Sporting com Jorge Jesus enquanto treinador, este que agora se apresta a terminar seria o mais fácil de conquistar.

Na melhor das hipóteses, o Benfica vai terminar com 84 pontos, menos quatro do que na época anterior. E menos dois do que o Sporting fez nesse ano. Há duas épocas, quando Jesus treinava o Benfica e Marco Silva o Sporting, o clube da Luz acabou com 85 pontos, menos três do que no ano passado. A prestação do Benfica não melhorou este ano se comparada com a do ano anterior.

O que mudou então? Não se compreende, até porque a troca de Slimani por Bas Dost, parece ter beneficiado o Sporting deste ano. Slimani marcou 27 golos na Liga 2015/16 e Bas Dost já leva 31, quando ainda faltam dois jogos. Por outro lado, João Mário saiu para entrar Gelson mas o que se perdeu em equipa ter-se-á ganho em individualismo. A defesa, já se sabe, andou em bolandas mas a espinha dorsal da equipa, com Adrien e William, manteve-se. Isso leva a acreditar que havia condições para que o Sporting fizesse um campeonato melhor do que o do ano passado. Mas não fez.

A culpa pode estar nas arbitragens? Só uma perspetiva muito enviesada, senão mesmo míope, consegue ver mosquitos na outra banda. Também não foi por aí. Terá sido a “estrutura” do Benfica que agora se diz ter sido a maior responsável pelo (quase) tetra do Benfica? Ora, de que falamos quando falamos de “estrutura”? De um organismo e correspondente modo de funcionamento capaz de criar as melhores condições para a equipa ganhar dentro do campo, gosto de acreditar. Mas esse é o trabalho do presidente e do 11º treinador mais bem pago do mundo. Passados dois anos, já é possível fazer contas. E perceber que a jogada de virar a mesa não funcionou. Agora é tirar conclusões.

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