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Nicolau Santos

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Diretor-Adjunto

Dois penáltis por marcar e um despedimento decidiram o campeonato

Nicolau Santos, diretor-adjunto do Expresso e adepto confesso do Sporting, diz o que lhe vai na alma no momento em que o rival Benfica se sagra campeão nacional

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O Benfica venceu o Sporting por 2-1, na Luz, na 1ª volta do campeonato

PATRICIA DE MELO MOREIRA/GETTY

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Este campeonato ficou decidido no Estádio da Luz, no jogo entre o Benfica e o Sporting, que os encarnados venceram por 2-1, apesar de terem sido dominados durante grande parte dos 90 minutos. E pelo despedimento do treinador do Braga, José Peseiro, na semana seguinte. Eu já explico.

Houvesse videoárbitro a funcionar no dia daquele Benfica-Sporting e outro galo cantaria. Mas o árbitro Jorge Sousa, ao não assinalar duas penalidades a favor do Sporting – e na sequência da primeira, o clube da Luz, num rápido contra-ataque, marcou o primeiro golo – determinou quem seria o campeão este ano.

Já sei que vai cair o Carmo e Trindade por causa desta afirmação. Mas o certo é que o mood leonino mudou a partir daí. Convenhamos que até essa altura havia dois candidatos ao título: Benfica e Sporting. O FC Porto nunca mostrou estofo de campeão e Nuno Espírito Santo, enredado em várias indefinições, não conseguiu jamais que a sua equipa tivesse o killer instinct que faz os verdadeiros campeões e que matam os jogos quando eles têm de ser mortos e que não desperdiça oportunidades de recuperar pontos quando elas surgem. Foi assim todo o campeonato e, só por isso, o FC Porto não merece ser campeão.

Voltemos, portanto, a esse dia 11 de dezembro de 2016. Pois bem, depois de uma primeira parte repartida, na segunda parte o Sporting menorizou o Benfica, encostou-o às cordas, fez dele um clube pequeno e de bairro, a defender, defender, defender, o Ederson a voar para aqui, a voar para ali, os adeptos a roer as unhas e em taquicardia, o Bas Dost faz o 1-2 e aí o Benfica entrou em desespero, não conseguia respirar, não saía do seu meio-campo, e o Jorge Sousa a não ver nem as duas mãozinhas do Pizzi, nem o bracinho direito do Nelson Semedo – mas a cinco minutos do final o genial Jorge Jesus tira o Bas Dost e mete o André e finalmente o Benfica descansou; sempre na retranca, mas descansou e depois festejou como se tivesse ganho o campeonato.

E fez bem. Foi lá que o ganhou. O Sporting, em vez de sair um ponto à frente do Benfica se tivesse ganho, saiu com cinco de atraso. E a mossa foi tão grande no estado psicológico dos jogadores do Sporting, o desânimo e o sentimento de injustiça foram tão pesados, como se houvesse forças poderosas que sempre se movem contra o clube nos momentos decisivos, que na semana seguinte a equipa voltou a perder por 0-1, desta vez em casa e contra o Braga, que tinha acabado de despedir José Peseiro, substituído interinamente por Abel Ferreira, que por acaso tinha sido despedido da equipa B do Sporting por Bruno de Carvalho assim que este chegou a Alvalade, que colocou no seu lugar João de Deus, que como se provou é um treinador medíocre, que quase conseguiu colocar a equipa B a descer de divisão, foi despedido, apareceu a treinar o Nacional, que acabou na II divisão.

O futebol nem sempre tem lógica mas há coisas que tem toda a lógica.

Mas depois dos penáltis que Jorge de Sousa não marcou na Luz, a substituição de José Peseiro à frente do Sporting de Braga antes do jogo com o Sporting foi a segunda razão que decidiu o campeonato a favor do Benfica. É que com Peseiro como treinador, o Sporting ganharia com mais ou menos dificuldade ao Braga, atendendo a que Peseiro é conhecido e reconhecido como um magnífico “pé frio”, um homem que sabe muito de futebol mas nunca ganha nada e perde mesmo quando tem tudo a seu favor (Grrrr! Aquela final da Liga Europa perdida em casa com uns russos quaisquer, depois de na semana anterior termos perdido o campeonato na Luz, com um golo do Luisão em falta sobre o Ricardo, ainda me está atravessadíssima!).

Mas logo haviam de despedir o Peseiro antes do Braga jogar com o Sporting e de colocar o Abel Ferreira, que estava ressabiado com o Bruno de Carvalho, a orientar a equipa apenas naquele jogo. E bastou para o Braga nos ganhar em Alvalade por 1-0 – e em vez de cinco pontos de atraso, passámos a ter oito. O campeonato acabou aí para o Sporting, apesar de na segunda volta termos tido uma séria consecutiva de vitórias, culminada com a vergonhosa derrota de domingo contra o Belenenses, em casa e com muitas mulheres e crianças nas bancadas, que ficam desde já traumatizadas para a vida e prontas para a aderir a outro emblema que lhes garanta vitórias.

Resumindo e concluindo, o Benfica ganha este campeonato porque o FC Porto nunca mostrou que o podia vencer e ao Sporting lhe cortaram as pernas no jogo da Luz. Parabéns, pois, ao Benfica. É um campeão poucochinho, nunca entusiasmou, nunca fez um grande jogo, só tem dois jogadores de classe acima da média, o Jonas e o Ederson, o resto é assim assim e claro que uma equipa que tem como cérebro o Dumbo não pode ser uma grande equipa.

Mas pronto, levem lá a Taça e parabéns ao Rui Vitória, que segue o velho provérbio, segundo o qual se a vida te dá limões, então faz limonadas.

Para o ano cá vos esperamos. Ou melhor, para o ano é que é. Não sei o quê, mas para o ano é que é. Eu pelo menos acredito. E como disse o presidente Bruno de Carvalho, que vai no segundo mandato e que já conseguiu ganhar uma Supertaça, basta! Já não há paciência para tanta desgraça! Para o ano ou isto muda ou mudam os sportinguistas: de treinador – e de presidente! Queremos vitórias.

Estamos sedentos de vitórias. Alguma vitória que nos anime e nos encha de orgulho. Não, não queremos jogar muito bem contra o Real Madrid e perder lá e cá. Não, não queremos jogar muito bem contra o FC Porto e perder lá por 2-1. Não, não queremos encurralar o Benfica e perder na Luz 2-1. Não, não queremos mais desculpas.

Queremos ganhar, ganhar, ganhar – por nós, pelos nossos filhos, pelos nosso netos, pelos filhos dos nossos netos, pelos nossos avós, pelos nossos bisavós, pelos nossos tetravós. O que é que não perceberam?