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Nicolau Santos

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Diretor-Adjunto

O engenheiro adora jogar meia parte com dez

Nicolau Santos

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Fernando Santos tem crédito ilimitado depois de ter ganho o Euro-2016, algo que demorará muitos anos até voltar a ocorrer. Isso não impede que não possa ser alvo de críticas. Hoje, ao começar o jogo contra o México não com 11, mas com nove jogadores, conseguiu dar uma parte inteira à outra equipa e mais uns quantos minutos da segunda parte. Por isso, Portugal viu o México empatar já nos descontos, o que pode ser cruel, mas para sermos verdadeiros foi inteiramente justo.

Ponhamos a coisa assim: mas o que é que Fernando Santos vê em Moutinho para o colocar sistematicamente a jogar no onze inicial? O que é que Moutinho tem dado à equipa? O que é que ele dá atualmente em matéria de passe, posse da bola, progressão, remate? Foi por ter marcado dois golos de livre no encontro de preparação contra o Chipre? Bom, mas contra o Chipre há muito mais jogadores que se arriscam a marcar dois golos e não tem direito a estar na seleção…

Por isso, não se percebe de todo esta insistência. Não se percebeu nos primeiros jogos do Europeu, até que Fernando Santos teve mesmo de deixar Moutinho de fora do onze inicial. E não se percebe de novo agora. Assim que entrou Adrien, o meio-campo português ganhou de imediato uma capacidade de pressão que não tinha tido até aí. E não é muito normal a equipa portuguesa andar a cheirar a bola e ter muito menos posse que o adversário, como aconteceu até Moutinho sair.

Fernando Santos, selecionador português, no empate de Portugal contra o México (2-2)

Fernando Santos, selecionador português, no empate de Portugal contra o México (2-2)

YURI CORTEZ/GETTY

Bom, a outra entrada direta para o onze foi Nani, que teve uma época muito irregular no Valência, estando mesmo na porta de saída. O que é que leva Fernando Santos a colocá-lo na equipa inicial? Só mesmo o pagamento da prestação que ele teve no Europeu. Mas como está claramente fora de forma, lá jogámos nós toda a primeira parte com nove jogadores. O México começou melhor, acabou melhor e esteve quase sempre por cima, dominando o meio-campo. Pelo meio, a arte de Ronaldo e Quaresma deram-nos um golo lindo, mas ao cair do pano da primeira parte sofremos o empate – e era um resultado merecido.

Na segunda parte lá começámos com a mesma equipa mas a meio da dita, Fernando Santos decidiu finalmente mexer e tirar – adivinhem? – João Moutinho, pois claro, e Nani, evidentemente, por troca com Adrien e Gelson. E quando finalmente tirou Quaresma para entrar André Silva (quem devia ter saído era o André Gomes pois o Quaresma estava a fazer um grande jogo e com ele em campo possivelmente garantíamos a vitória), Portugal tornou-se bem mais perigoso, passou a jogar o futebol que melhor lhe assenta, fez o segundo, teve dois lances perigosíssimos que dariam o terceiro, mas acabou a sofrer o empate (também porque Pepe talvez esteja menos bem que Bruno Alves) que o México mais que justificou – embora sofrer um golo de canto na compensação seja um bocadinho ridículo…

Enfim, aguardemos o jogo contra a Rússia na quarta-feira. Se Fernando Santos insistir em começar com Moutinho e Nani é a certeza que quer repetir a estratégia que nos deu a vitória no Euro, passando a ideia de que somos uma equipa um bocadinho tosca, que joga assim-assim, que empata muito e que espera que todas as outras equipas se anulem umas às outras para nós irmos paulatinamente até à final para lá darmos então a estocada final. Ops! O único problema é que o engenheiro não convocou o Ederzito para marcar o golo improvável. Será que mesmo assim pode correr bem?