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Heróis de sempre mas nem sempre recordados

Ana Bispo Ramires

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Junho será recordado, por muitas gerações, como um dos meses mais negros do nosso país. O cenário dantesco que se abateu sobre Pedrogão permanecerá na memória e, literalmente, no "corpo" de muitos.

Os danos materiais e humanos dificilmente poderão alguma vez ser equacionados mesmo porque os efeitos secundários desta tragédia irão traduzir-se numa enormidade de sequelas psico-emocionais (como será o caso da instalação de quadros de stress pós traumático), que virão a manifestar-se nas famílias das vítimas e em todas as pessoas que, no contexto, estiveram presentes (corporações de bombeiros, militares, repórteres e civis).

O nosso cérebro, de facto, regista tudo: as dores emocionais, os odores, as imagens, os sons... todos os pormenores de um cenário de tragédia que dificilmente será, alguma vez, apagado.

Mas, por vezes, parece que "se esquece" demasiado rápido das ações e planos que, de forma bem intencionada, se entenderam agir.

Este não pretende, na realidade, ser mais um texto de homenagem à tragédia das vítimas ou à coragem das equipas de socorro, nem tão pouco, à enorme capacidade dos portugueses, em crise, darem uma gigante e comovente resposta de apoio, através de um sem número de iniciativas de suporte - até porque, seria um esforço infrutífero na medida em que nada nem ninguém conseguirá promover uma homenagem que se adeque à dimensão de toda a situação.

Este texto é, tão somente, um APELO.

A BRAVURA DAS EQUIPAS DE SOCORRENTES (com um enormíssimo destaque para as diferentes corporações de Bombeiros) que, em cenários de inimaginável risco de vida (próprio e de outros), colocam de lado o medo e os afetos, para desempenhar a sua missão com a máxima das suas forças é, desde sempre, conhecida e reconhecida.

PAULO NOVAIS/LUSA

Contudo, NEM SEMPRE É LEMBRADA.

De facto e, para além das iniciativas desencadeadas no passado ano onde, uma vez mais, os Bombeiros nos "comoveram" de orgulho, face ao inferno de incêndios que o verão trouxe, que mais tem sido feito?

Assim, de repente, parece que "os Bombeiros" são apenas um "assunto de verão".

Esta pode ser, também, apenas mais uma forma de expressão de uma das nossas características naturais: SOMOS MUITO BONS A REAGIR (em crise) e MUITO POUCO "DISPONÍVEIS" para "PROAGIR" (ou, por outras palavras, tomar medidas preventivas fora dos cenários de crise).

Há, por certo, um conjunto de medidas que necessitam ser planeadas e ponderadas pelas entidades responsáveis do nosso país mas, funcionando verdadeiramente em sintonia, HÁ também uma série de AÇÕES/MEDIDAS que podem ser ATUADAS pelo TECIDO EMPRESARIAL PORTUGUÊS e pela NOSSA AÇÃO INDIVIDUAL.

E, aqui sim, entendo que possa ser um PONTO DE REFLEXÃO URGENTE, para cada um de nós:

- Há que CENTRAR A NOSSA ATENÇÃO na nossa ação individual, despreocupando-nos sobre o que o governo ou as entidades poderiam ou não ter feito (este tipo de debate tem espaço próprio) pois, este tipo de foco num qualquer outro, serve apenas como uma mera distração daquela que pode ser a NOSSA RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL.

O que poderei eu fazer para homenagear, diariamente (e não 3 meses por ano!), quem se entrega tão abnegadamente a defender "o que" e "quem" não é "seu"?

Esta É A PERGUNTA QUE SE IMPÕE A TODOS NÓS e que, afinal, será a que melhor espelhará o comportamento de quem defende a terra e a vida de tantos, sem antecipadamente se preocupar se, de facto, "merecem" que o façam.

Esta será, sem dúvida, a melhor homenagem para quem não "avalia", apenas se centra na sua missão e protege - 12 meses por ano.

A Psicologia da Performance encontra-se especificamente direcionada para o delineamento de planos específicos de treino de competências psicológicas, para a promoção de desempenhos de excelência, através da elevação das capacidades psico-emocionais e físicas dos sujeitos, em contextos de superação (desportivo, académico, empresarial e Vida, de uma forma geral)

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