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A Paz nasce da Ética!

O professor Manuel Sérgio, provedor da Ética no Desporto, e José Lima, coordenador do Plano Nacional de Ética no Desporto, escrevem um manifesto para um campeonato sem casos

Manuel Sérgio

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Este fim de semana tem início mais um Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão. Fazendo o balanço do processo coletivo do nosso futebol, devemos sublinhar, nele, duas grandes características. Por um lado, a muito boa valia pedagógica e técnica dos nossos treinadores e o prestígio das nossas escolas de formação de jogadores, que têm oferecido ao futebol mundial alguns dos seus melhores jogadores. Por outro, o elevado grau de conflitualidade entre os principais dirigentes dos nossos principais clubes, o que dificulta um diálogo lúcido e sereno entre os “agentes do futebol” e, num tempo em que as técnicas de publicidade e de propaganda atingiram um elevado grau de eficácia, cria falácias e sofismas do mais cego facciosismo, que se ampliam e reproduzem, tanto individual como coletivamente.

Não passa de um logro um Desporto sem Ética, porque sem Ética não há Desporto, nem Paz verdadeira.

Sem Ética, não há Desporto? Assim é! Não há jogos, há pessoas que jogam. Por isso, o Desporto não se resume, unicamente, a uma Atividade Física, porque é uma Atividade instauradora e promotora de valores. Fazer Desporto é competir, sob a base sólida das “leis do jogo” e… daqueles valores sem os quais impossível se torna viver humanamente! Por isso, a transcendência (a superação), no Desporto, prende-se com a globalidade do ser humano e portanto é simultaneamente física e psíquica e espiritual. Também os dirigentes, os “dirigentes-adeptos” e os adeptos dos clubes de futebol são convidados a transcender-se. Como? Tornando-se cada vez mais livres e libertadores: livres, porque se libertaram dos conflitos resultantes de cegos clubismos, particularismos, reducionismos; libertadores, porque se mostram capazes de lançar pontes de solidariedade em direções aos clubes rivais.

Aos órgãos da Comunicação Social, apela-se para que se vinculem a uma informação criteriosa, e verdadeira, opondo-se à promoção de “faits divers”, e a uma banalização de um futebol de casos.

No Desporto, mais do que competição, deveremos criar verdadeira “coopetição” (um misto de competição e de cooperação). No dealbar do Nacional de Futebol 2017/18, pedimos licença para lembrar a todos os dirigentes desportivos, mormente os dirigentes dos principais clubes, que é preciso entrar numa era nova de mais diálogo, de mais cooperação, de mais concertação.

O progresso do nosso futebol precisa urgentemente da Paz que nasce da Ética – precisa de homens que, porque eticamente se transcenderam, sejam novos e façam novas todas as coisas. Com “homens caducos” as estruturas continuarão decrépitas. E, com “estruturas decrépitas”, até os homens de poderosos recursos teóricos e práticos, com dificuldade encontrarão espaço, para inovar ou reformar. “A Paz nasce da Ética”, queremos dizer: a Paz só com Ética se concretiza. Com Homens, portanto!

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