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Então, e contra a Hungria vamos jogar outra vez com nove? (Onde se fala de Moutinho e de Eliseu)

Nicolau Santos, diretor-adjunto do Expresso, opina sobre o que viu contra as Ilhas Faroé e que espera não ver contra os húngaros

Nicolau Santos

ALEXANDER NEMENOV

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Portugal esmagou a perigosíssima selecção das Ilhas Faroé por 5-1. O encontro no estádio do Bessa serviu para o seleccionador nacional Fernando Santos insistir numa ideia que lhe é muito cara: jogar com dez jogadores sempre que necessário, ou mesmo nove quando for possível. A fórmula resultou mais uma vez. Mas talvez contra a Hungria seja melhor voltar aos clássicos: onze jogadores que joguem futebol.

Seguindo uma velha fixação, Fernando Santos voltou a colocar em campo a sua equipa habitual: João Moutinho e mais dez. Ficava assim desde logo garantido um jogo empastelado, sem profundidade, sem vibração, de passe para o lado direito, passe para o lado esquerdo, passe para a direita, passe para a esquerda, passe a dois metros, passe a cinco metros, passe a dois metros, passe a cinco metros – e todos à espera da inspiração de Ronaldo.

Resultou em pleno: não só o jogo foi uma pastelice, como Ronaldo marcou logo aos quatro minutos. Depois, com um cérebro como o de Moutinho no meio-campo, foi preciso um penálti para fazer o 2-0. E para dar emoção à coisa conseguimos sofrer um golo das Ilhas Faroé ainda no primeiro tempo, vibrantemente saudado pelos adeptos daquela selecção que se sentavam no Bessa e que nunca pensaram que fosse possível conseguir tal feito.

Mas sofrido o golo, Portugal continuou a jogar o seu futebol magistral sob a batuta de Moutinho: bola para a esquerda, bola para a direita, bola para a esquerda, bola para a direita, passe a dois metros, passe a cinco metros, passe a dois metros, passe a cinco metros. Depois, uma inovação: passe para trás ou mesmo passe para o Patrício que, coitado, estava ali há uma data de tempo sem nada que fazer. E depois outra vez bola para a direita, bola para a esquerda, passe a dois metros, passe a cinco metros e foi tudo para as cabines.

No regresso acelerámos um bocadinho, o William provou que é um príncipe africano, marcou de cabeça, deu a marcar ao Ronaldo, mas pelo meio Moutinho marcava o ritmo: bola para a direita, bola para a esquerda, passe a dois metros, passe a cinco metros. Passes em profundidade é que não! Passes a rasgar é que nunca! Bola para a direita, bola para a esquerda, passe a dois metros, passe a cinco metros.

Depois, vieram as substituições. Entrou o Quaresma e a coisa animou logo, como seria de esperar. Em seguida, e com um enorme peso na alma, o engenheiro resolveu substituir Moutinho, que tão bem estava a jogar, pelo André Gomes, que garantiu o mesmo nível de actuação de Moutinho. É sempre bom substituir Moutinho por André Gomes porque não há nenhuma oscilação no jogo da selecção. E finalmente entrou o Nélson Oliveira, porque o André Silva, valha-o Deus, esteve completamente desinspirado.

Ora tendo no banco um tal de Bruno Fernandes e um tal de Gelson Martins, que estão habituados a jogar com um tal de William Carvalho, a pergunta é porque raio tem de jogar a selecção com um homem a menos? Ou melhor, dois: é que espero que o Eliseu tenha estado em campo apenas porque era preciso apresentar onze jogadores. Contra a Hungria, o melhor lugar para Eliseu jogar é no banco de suplentes.

Ou seja, meu caro engenheiro: ou muda alguma coisa nesta equipa ou vamos ter mais uma vez de nos fiar muito na inspiração de Ronaldo e agradecer à Federação Espanhola de Futebol por o ter punido com um castigo de cinco jogos e estar assim fresquinho para jogar pela selecção. É que o Moutinho NÃO FUNCIONA!

Espero que contra os magiares a selecção nacional seja a seguinte: Patrício; Cédric, Pepe, Fonte e Coentrão; William João Mário, Bernardo Silva e Gelson Martins; Ronaldo e André Silva. E depois de estarmos a ganhar por 5-0, pode sempre entrar o Moutinho para empastelar os cinco minutos dos descontos.