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Rui Santos

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Comentador desportivo

A crise do “piloto automático” do Benfica

Rui Santos, comentador desportivo da SIC Notícias, identifica o que diz ser a causa da crise atual do Benfica: o “piloto automático” de Luís Filipe Vieira

Rui Santos

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Chamei-lhe a “crise do piloto automático”.

O tetracampeonato do Benfica foi conseguido num ambiente que promoveu, primeiro, a exponenciação da influência técnico-desportiva de Jorge Jesus desde a sua chegada ao Estádio da Luz, o aproveitamento do crescimento de toda a máquina estrutural que sustenta a ‘marca’ Benfica, em todas as suas diversas e multifacetadas componentes e ainda — através da força dessa ‘marca’, nos planos económico, político e mediático — a gestão de um poder efectivo nas suas relação com o ‘mundo exterior’.

Durante anos, o ‘porta-aviões’ [Benfica] acusou muitas deficiências nas suas estruturas e deixou o ‘contratorpedeiro’ [FC Porto] instalar-se nas sempre muito agitadas águas do futebol português, com o ‘submarino’ [Sporting] a registar apenas alguma actividade ao nível do… periscópio.

O presidente Vieira ganhou fôlego depois de levar algum tempo até conseguir anichar-se na sua ponte de comando, anulando oposições várias e levando para a gávea da embarcação aqueles que, entre ventos e marés, achou mais competentes para fazer face às tempestades (internas e externas). O porta-aviões ganhou peso e identidade. Ganhou força. E ganhou novos-velhos inimigos. Numa ‘guerra’ crescente, o Benfica achou que — com dois anos de bolina estrutural —estava em condições de usar o piloto automático.

ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Erro crucial. Não se pode aliviar a atenção interna nem a cabotagem. A ‘casa das máquinas’ do futebol tem de estar sempre em funcionamento. Não se podem dispensar marinheiros de água salgada e contratar marinheiros de água doce. No futebol é preciso ter muita atenção a todas as bandeiras pirata. E qualquer desatenção pode favorecer o aparecimento de motins.

Vieira tem de desligar o piloto automático e corrigir aquilo que não foi feito no pico do Verão. As estórias dos cruzeiros não são para aqui chamadas.

O ‘penta’ ainda não é uma miragem, mas muita coisa tem de mudar no Benfica. Há tempo para reparar o rombo do porta-aviões?

(Texto escrito segundo a antiga grafia)