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Nicolau Santos

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Diretor-Adjunto

Não foi o VAR que falhou. Foi Carlos Xistra

Nicolau Santos escreve sobre a arbitragem do Sporting-Sporting de Braga, que acabou empatado (2-2)

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O Sporting empatou ontem com o Sporting de Braga em Alvalade. Podia ter perdido. Há pelo menos dois lances em que o Sporting de Braga é penalizado injustamente. Mas quem falhou não foi o videoárbitro (VAR). Foi o árbitro Carlos Xistra.

Não se pode criticar o VAR quando deixa de funcionar num jogo do Benfica, acabando por beneficiar o clube da Luz, e não assumir os erros quando é o meu clube, o Sporting, o beneficiado.

Pois bem, domingo, em Alvalade, embora eu não estivesse a ver o jogo em boas condições, há dois erros que beneficiam o Sporting. O primeiro é um golo anulado a Fransérgio, quando o resultado ainda estava em 0-0. Há um jogador do Braga em fora de jogo mas Fransérgio, que marca, está claramente em jogo.

Acontece contudo, segundo me explicam os especialistas, que se o árbitro já tinha apitado, que foi o que aconteceu, então não pode haver recurso ao videoárbitro. Logo, houve erro, o golo devia ter sido validado, mas o erro nada teve a ver com o VAR, mas sim com o fiscal de linha, que assinalou um fora de jogo inexistente, e com Carlos Xistra, que sancionou erradamente esse fora de jogo. A partir daí, não podia ser chamado o VAR para avaliar a situação.

Segundo erro: na jogada imediatamente anterior ao penálti no final do jogo que dá o empate ao Sporting, Doumbia salta com um defesa do Braga e o seu braço esquerdo atinge na cara o jogador adversário. O jogo deveria ter sido interrompido e assinalada falta contra o Sporting. Mas Carlos Xistra, que está de frente para o lance como mostram as imagens televisivas, nada assinala. Depois, há o penálti sobre Alan Ruiz, que Bruno Fernandes converte. Ou seja, mais uma vez o erro nada teve a ver com o VAR, que não é sequer chamado a avaliar estas situações. Mais uma vez, o erro foi da equipa de arbitragem.

Carlos Xistra foi o árbitro do Sporting-Sporting de Braga

Carlos Xistra foi o árbitro do Sporting-Sporting de Braga

António Cotrim/Lusa

Assim como há um erro grave no FC Porto-Belenenses, quando Filipe, defesa dos dragões, comete um claro penálti sobre um atacante do Belenenses. O árbitro nada assinalou, não houve golo, logo mais uma vez o VAR não tinha de ser chamado a intervir.

Voltemos, portanto, ao essencial: o VAR é essencial para ajudar a verdade desportiva. Não resolve tudo mas é um enorme contributo nesse sentido. Os árbitros devem, em situações de golo, dar o benefício da dúvida: deixar a jogada seguir e, em caso de dúvida, consultar então o videoárbitro, não interrompendo uma situação que pode acabar em golo.

Quanto às equipas que estão no VAR e analisam os lances, aí a questão é outra. Nesses casos, a interpretação dos lances pode ser altamente discutível – como, por exemplo, no golo anulado ao Portimonense na Luz. Domingo, foi o Sporting a ser beneficiado. Mas não pelo VAR e sim pelos erros da equipa de arbitragem.