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Duarte Gomes

Duarte Gomes

ex-árbitro de futebol

12 factos e 9 soluções para o futebol português

Duarte Gomes elenca os problemas da bola indígena e as formas que estes poderiam ser contornados

Duarte Gomes

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Factos

1. O momento atual do futebol português é mau.

2. Os árbitros têm cometido erros. Mais do que se esperava e desejava e isso não pode nem deve ser branqueado.

3. A videotecnologia surgiu a pedido das mesmas pessoas que agora a criticam ferozmente.

4. A videotecnologia é fundamental, deve continuar mas é justo reconhecer que o seu crescimento tem sido mais atribulado do que se pretendia e desejava.

5. Também por isso mas não só, o ruído exterior continua a atingir níveis inaceitáveis.

6. A sensação de impunidade sobre quem o promove e mantém também.

7. Os campeonatos de sucesso são constituídos por equipas que um dia tiveram a inteligência estratégica de abdicar dos seus interesses para servir os interesses maiores do futebol.

8. O nosso não é assim porque o fosso entre as equipas ditas grandes e todas as outras é enorme e tende a aumentar.

9. Esse fosso é cavado por quem escolhe alimentar uma visão tripartida da competição.

10. Essa visão serve muitos interesses e muitas pessoas mas prejudica muitas mais.

11. Esses interesses promovem cada vez mais conflito e instabilidade porque sobrevivem à custa de uma guerrilha feia e não de uma sã rivalidade.

12. Tudo isto resulta numa liga enfraquecida, cada vez mais distante das grandes competições internacionais e das receitas que elas proporcionam.

Soluções

1. Que se promova uma espécie de “Football Talks” nacional, onde todas as partes com responsabilidade direta/indireta no jogo se sentem e reflitam, apresentem as suas ideias, aprovem medidas concretas e apliquem-nas tão breve quanto possível.

2. Que as mesmas partes assinem uma espécie de “compromisso de honra” onde se obriguem a manter, até ao fim da época, comportamento de respeito perante a competição e todos os seus agentes.

3. Que se redija um código de conduta, proposto e ratificado por todos, com um conjunto de valores e princípios a manter em todos os momentos, durante todas as épocas.

4. Que se continuem a introduzir alterações regulamentares no sentido de reforçar a punição aos agentes desportivos que tenham ou mantenham comportamentos inadequados, inflamatórios, provocatórios, ofensivos, injuriosos ou grosseiros.

5. Que exista coragem do estado português em apoiar a implementação das propostas sugeridas, em sede própria, pelo Presidente da FPF.

6. Que essas medidas visem, essencialmente, afastar dos estádios todos os que não vão ao estádio ver futebol.

7. Que FPF e Liga de Clubes criem comissões de trabalho com o objetivo de apresentar medidas que tornem o nosso campeonato num produto mais rentável. Que essas medidas tenham sempre em conta o todo e nunca a parte.

8. Que as mesmas estruturas criem condições económicas (redução de custo dos bilhetes, por exemplo) e sobretudo de segurança para que cada vez mais pessoas/famílias vão aos jogos assistir ao espetáculo chamado futebol.

9. Que as mesmas estruturas encontrem formas criativas de valorizar o jogo em si, de forma a torná-lo cada vez mais apetecível para jogadores de qualidade, aumentando assim o interesse competitivo e tudo o que ele atrai depois: maior mediatismo, mais patrocinadores, novos parceiros e, naturalmente, mais receitas.

P.S. Qualquer um faria este diagnóstico e muitos já sugeriram medidas idênticas. A diferença é que quem opina só pode fazer uma coisa: opinar. A distância entre a utopia e a realidade é quase sempre psicológica. Na verdade, quase tudo na vida está a um pequeno passo chamado... vontade. Haja coragem, pois então. De que é que estamos à espera?