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Os três grandes, os slogans enfadonhos e as queixinhas a la minute

Onde se fala sobre Salazar, Capela, Cartilha, Felipe Vale-Tudo, etcetera. E sobre as análises a cada frame de cada jogo

Pedro Candeias

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Não é de agora, mas há uma estranha e curiosa tendência dos três grandes para cunhar chavões. Vou pô-los todos em maiúsculas, porque a maior parte deles inclui apelidos e/ou trocadilhos com apelidos.

Liga Capela.
Liga Salazar.
Cartilha.
Cartilheiros.
VARíssimo.
Felipe Vale-Tudo.
Jornada da Vergonha.

É possível que me tenha esquecido de um ou de outro, e por isso peço desculpa aos autores – não é má vontade minha, acreditem, é só que… bom, é só que são tantos que já os confundo com aqueles que leio no Twitter em contas anónimas e de trollada, e até com os que faço por pura auto-recriação quando sou dominado por um impulso de criação.

É em instantes como esses que me ponho a escrevinhar slogans catitas bastante infantis, todos eles a léguas, claro, da originalidade dos acima reproduzidos.

São coisas como estas:
Cego, Surdo e Mudo.
Os Três da Vida Airada.
O Trio Odemira.
Os Três Duques.
Partida, Larga, Fugida.
São Três e Andam aos Pares.

Julgo que perceberam logo onde queria chegar, mas acrescento ainda um último copy: são todos farinha do mesmo saco.

Nos últimos anos, institucionalizou-se a ideia de que os árbitros vão errar ou beneficiar em função das queixinhas à la minute e da pressão mediática. Os diretores de comunicação passaram a ser figuras prime-time e a dar entrevistas e artigos de opinião em jornais; e as máquinas de propaganda altamente profissionais e populistas dos três grandes começaram a aproveitar cada jogo, aliás, cada frame de cada jogo para dispararem acusações e insinuações sobre os tipos do apito ou sobre jogadores rivais.

Quem vai à frente nunca tem mérito, quem ganha é porque controla a arbitragem e quem perde foi roubado ou, então, jogou contra uma equipa que estava vitaminada. Sim, aconteceu.

É difícil datar quem começou primeiro e de quem é a culpa – o Benfica de João Gabriel, o Sporting de Nuno Saraiva, o FC Porto de Francisco J. Marques ou então este novo Benfica de Luís Bernardo, que contratou gente para retomar o discurso de guerrilha – mas a verdade é que isso é irrelevante; o importante é perceber quem e como se acaba com isto, e não me parece que os castigos da praxe possam resolver isto, que é apenas enfadonho, previsível, triste e deprimente. E, vá, ligeiramente estúpido.

Ou seja, tudo o que o futebol não é.