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Como uma força que ninguém pode parar: Manchester United cria equipa feminina e junta-se a tendência europeia

Barcelona, PSG, Chelsea, Bayern de Munique, Juventus e, agora, Manchester United: quase todos os colossos europeus já têm equipa feminina de futebol

Mariana Cabral

A Holanda venceu o Europeu feminino pela primeira vez em 2016

Dean Mouhtaropoulos/Getty

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Real Madrid, Barcelona, Bayern de Munique, Chelsea, Inter de Milão e Manchester United. Na última década, estes foram os únicos clubes a conquistar a Liga dos Campeões, atingindo aquilo que é considerado o auge do futebol europeu no masculino.

Destes clubes, em 2018, só dois - Real Madrid e Inter - não têm equipa feminina de futebol.

Porque, esta quinta-feira, o Manchester United fez o que há muito teimava em não fazer, apesar de até ter formação feminina até aos 16 anos: criou uma equipa feminina.

"É com satisfação que anunciamos que vamos criar a nossa primeira equipa feminina profissional, que participará na WSL2 [2ª divisão inglesa]", explicou o CEO do Manchester, Ed Woodward, no site do clube. "A equipa feminina terá de ser construída à imagem e com os mesmos princípios que a equipa masculina, oferecendo às nossas jogadoras da formação um caminho para o futebol ao mais alto nível no clube", acrescentou.

A 22 de março de 2018, o Manchester junta-se ao século XXI - era mesmo o único clube da Premier League sem equipa feminina, enquanto os rivais Manchester City, Chelsea, Arsenal e Liverpool já dominam o futebol feminino no país e na Europa.

O orçamento de cerca de €5 milhões, de acordo com a Sky Sports, será uma gota no oceano de euros do clube e permitirá manter uma equipa com jogadoras de alto nível - as miúdas formadas no United, até agora, tinham de procurar nova equipa a partir dos 16 anos, e é por isso que as jovens inglesas Izzy Christiansen e Ella Toon jogam no City; Ellie Fletcher e Emily Ramsey jogam no Liverpool; Fran Kitching joga no Chelsea; e Katie Zelem joga na Juventus.

O Manchester United acompanha, assim, uma tendência global: praticamente todos os principais clubes europeus já têm futebol feminino.

Em Espanha, Barcelona e Atlético de Madrid (recentemente, mais de 22 mil pessoas assistiram ao primeiro jogo feminino no estádio Wanda Metropolitano) lutam pela hegemonia, enquanto o Real Madrid vai ponderando como começar a equipa, segundo o presidente Florentino Pérez; na Alemanha, Bayern de Munique, Wolfsburgo e Werder Bremen dominam, faltando apenas o Borussia Dortmund entre os ditos 'grandes'; em França, há PSG, Lyon e Marselha; em Itália, a Juventus é a mais recente entrada numa liga que já tem Roma e Fiorentina; e, em Portugal, Sporting e Sporting de Braga dominam uma Liga Allianz que também tem Estoril e Boavista - o Benfica irá entrar na 2ª divisão em 2018/19 e o Vitória de Guimarães deverá fazer o mesmo.

Em 2016, o 12º Europeu feminino foi disputado pela primeira vez por 16 seleções (anteriormente, a prova tinha apenas 12 participantes), incluindo Portugal, e bateu recordes de audiências televisivas e de assistências, com a final conquistada pela Holanda a ser presenciada por cerca de 30 mil adeptos.

Em 2017, aliás, o futebol feminino na Europa cresceu em praticamente tudo: o número de mulheres federadas aumentou 7,5%, de acordo com os dados da UEFA, passando de 1.270 milhões de jogadoras para 1.365 milhões; o número de profissionais e semi-profissionais também aumentou, de 1680, em 2013, para 3572; e o número de equipas jovens também aumentou, passando de 21.285, em 2013, para 35.183.

Em Portugal, nunca houve tantas mulheres a jogar futebol: são 4284 jogadoras federadas, segundo os dados da Federação Portuguesa de Futebol - e a maioria é jovem, ou melhor, muito jovem. 2696 das federadas são juniores, ou seja, têm 19 ou menos anos. O que quer dizer que o melhor delas ainda está para chegar.

Como uma força que ninguém pode parar.