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Da ilusão à desilusão. Duarte Gomes está com um aperto no peito e a culpa é do futebol português

Estará “tudo doido” no futebol português? É esta a pergunta que Duarte Gomes gostava de ver respondida, ao fazer o balanço do estado atual da modalidade, que diz estar envolvida em “degradação e lodaçal”. Está na altura de voltar à infância

Duarte Gomes

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Fico com um aperto no peito de cada vez que me pedem para fazer um balanço sobre o estado atual do futebol português. É estranho mas é verdade.

Fico com uma espécie de nó na garganta que deixa uma sensação feia, de desconforto e angústia. Penso que é por estar ligado a este jogo há quase vinte e oito anos e por gostar tanto dele.

Lembro-me que, em miúdo, arrancava folhas do caderno, enrolava-as com fita cola e do nada, criava um cautchú de fazer inveja a qualquer menino da minha idade. Depois, bem... depois tudo servia para saciar a taradice: fazia pontaria para a porta da casa de banho, para o espaço entre dois vasos ou para os pés da cama. As balizas de improviso ampliavam o imaginário e transportavam-me para estádios de verdade, repletos de adeptos rendidos ao meu talento de "pequeno prodígio". Quando ia para a cama, levava esse lirismo para os meus sonhos. Via-me a ser um génio da bola, um craque de nomeada. Adormecia assim. Com um sorriso deslumbrado que os inocentes alimentam quando estão distantes do mundo real.

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