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Herrera atirou-se para o chão a pedir penálti e acabou com o ouro nos 400 metros femininos (a análise alternativa ao FCP)

O blogue Lá Em Casa Mando Eu é escrito por um casal com muitos problemas conjugais ao nível da bola: ela é portista fanática e ele é benfiquista ferrenho. O clube dela empatou na Champions com a Roma e ela tem umas coisas a dizer. Esta é uma análise alternativa ao 11 azul e branco

Catarina Pereira, Lá Em Casa Mando Eu

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ESTELA SILVA / Lusa

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Casillas

Desde que chegou ao Porto que tem sido só conhecer coisas novas: a Foz do Douro, a Liga Europa, a classe do Marega. As experiências que lhe temos proporcionado entraram agora numa nova fase: Casillas sai da baliza!!! Logo aos 3 minutos, saiu de punhos a um lance de ataque da Roma. Falhou, claro, mas para primeira vez não foi nada mau. Aos 14 lançou-se aos pés de Dzeko e – adivinhem… suspense… tambores a rufar… -, falhou outra vez. Mas o miúdo ainda se faz. Sem culpa no golo sofrido (ninguém estava a marcar Felipe!).

Maxi Pereira

Proponho que Maxi coloque ao peito uma daquelas placas: “Encerrado para férias, de tantos a tantos de agosto. Obrigado pela compreensão”. Pelo menos sabíamos com o que podíamos contar. Ainda o vimos em algumas ações ofensivas, mas no lado direito da defesa deixou apenas a toalha e o guarda-sol a marcar lugar. Também na Liga dos Campeões é perseguido pelos árbitros, tendo levado amarelo quando apenas questionou De Rossi sobre qual o melhor sítio para comer em Roma.

Felipe

Estreou-se nas competições europeias e estreou-se a marcar um ponta-de-lança, já que nos treinos lhe tem calhado o Aboubakar. Salvou o tal lance em que Casillas falhou na saída, mas aos 21 minutos redimiu-se e marcou um golo na própria baliza, demonstrando que, mais do que azar no sorteio, o FC Porto tem tido azar nos centrais. Esteve perto de fazer o 2-1 aos 67 minutos, mas pelos vistos não é tão matador quando o guarda-redes é da equipa adversária.

Marcano

Em Roma sê romano, no Porto sê Marcano. É engraçado que até agora não estava convencida que fosse um central ao nível do FC Porto, mas, quando começo a olhar mais atentamente para quem colocam a jogar ao lado dele, a verdade é que Marcano ganha outro ar. Eu também não gosto de bacalhau por si só, mas misturado com umas batatas fritas e natas lá vai.

Alex Telles

ESTELA SILVA/Lusa

Salvou um golo na linha de baliza aos 14 minutos e festejou como se tivesse marcado. Infelizmente, não estava no mesmo sítio quando Felipe apareceu desmarcado na área a atirar sem hipóteses para a baliza de Casillas.

Danilo

Quando Danilo entra em campo, os outros jogadores deviam ser obrigados a tratá-lo por “senhor campeão da Europa”. O facto de a Roma ter marcado um golo fora deixa esse título cada vez mais longe da realidade portista.

André André

Desde a lesão da época passada que André André tem andado um pouco como Donald Trump: a descer nas sondagens. Aos 12 minutos ainda apareceu no sítio certo após um pontapé falhado do guarda-redes da Roma, mas rematou por cima do muro que vai separar os EUA do México. Nuno (e eu, já agora) continua a confiar nele e agora é esperar que a velocidade e a capacidade de pressão regressem. Por isso, vamos lá: let's make André André great again.

Herrera

Quando o hino da Liga dos Campeões toca, sinto sempre um arrepio. Já devia estar habituada, eu sei, mas é mais forte do que eu. Já Herrera, no entanto, esteve desde o alinhamento inicial com aquele ar de que jogar a final da Champions ou o solteiros contra casados lá da rua é a mesma coisa. Aos 16 minutos não se fez ao bom cruzamento de Maxi porque sentiu um Pokémon nas costas. Infelizmente, na televisão deu ideia que não estava lá ninguém. Aos 30 atirou-se para o chão a pedir penálti e acabou por vencer a medalha de ouro nos 400 metros femininos (tipo AQUI).

Otávio

Está claramente numa fase ascendente da carreira, tal como Luisão se realmente for para o Wolverhampton. Não hesita antes de decidir – seja bem, seja mal -, o que só por si o distingue de um qualquer extremo suplente da seleção que ande por aí indeciso entre, imaginem, o FC Porto e o Benfica. Enfim, 20 milhões de estalos e resolvia-se isto. Mas, voltando a Otávio, continua com um arranque de época alucinante e só lhe faltou o golo para consolidar a exibição.

Adrián López

Toda a gente já teve um namorado ou uma namorada da qual se envergonha passado uns tempos. Na altura em que tudo começou, ninguém diria que ia acabar tão mal, mas agora, só de olhar para trás, sentimos que namorámos com o rapaz ou a rapariga mais feios da escola. Ora, agora imaginem que, de repente, voltam a enrolar-se com ele ou ela. Seria estúpido, certo? Pronto, é assim que Nuno Espírito Santo nos faz sentir com esta titularidade. E quase, quase que esta história ficava estragada com o golo que Adrián ainda marcou, mas que foi anulado pela equipa de arbitragem. Eu, obviamente, nem preciso de repetições para concluir que foi um grande roubo.

André Silva

MIGUEL VIDAL/Reuters

Começou por estar perto de empatar, aos 22 minutos, falhando o golo não por demérito próprio, mas devido à presença de algas. No final da primeira parte “expulsou” Vermaelen, mas Herrera fez o favor de mostrar que continuamos a marcar livres tão interessantes quanto a Festa do Pontal. Acabou por fazer o empate aos 60 minutos e podia mesmo ter consagrado a reviravolta, nos últimos minutos, a passe de Layún. A continuar assim, lá terei de me habituar à ideia de depender de um miúdo de 20 anos.

Layún

Quem me conhece sabe que passei o verão a dormir mal, não só porque tenho um bebé pequeno com genes benfiquistas, mas também porque não vejo maneira de o FC Porto ser campeão nacional sem um “matador” (André Silva é uma enorme promessa, mas eu queria uma certeza). A certa altura, aproximando-se este play-off, já só sonhava com um qualquer ser humano do sexo masculino, com mais de 1,80m, menos 10 quilos do que o Walter (no mínimo) e dois pés (dois pés no sentido de dois membros inferiores funcionais, não exigia que jogasse bem com os dois pés, claro, que loucura). O FC Porto fez-me a vontade. Para o ano não me enganam: vou especificar na lista de exigências que convém o jogador estar disponível para… jogar. Posto isto, quem precisa de Depoitre quando tem Layún para entrar num jogo que precisávamos desesperadamente de vencer?

Corona

Sentou-se no banco para dar o lugar a Adrián López, que é o mesmo que um dia o vosso chefe chegar e dizer-vos: “Hoje vais ser despedido porque contratei um gajo que odeio, que até já despedi em tempos e que ainda me lembro que é muito pior do que tu”. Força Corona, vais ultrapassar este trauma.

Evandro

Era preciso parar a avalanche atacante do FC Porto e nada melhor do que aquele estilo sertanejo de Evandro. Rúben Neves ficou a chorar no banco, eu fiquei a chorar no sofá.

O blogue Lá em Casa Mando Eu é escrito por um casal com muitos problemas conjugais ao nível da bola: ela é portista fanática e ele é benfiquista ferrenho