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No Porto não sejas romano. Sê Otávio

A Roma começou melhor e o Porto acabou melhor, ou seja, deu empate no Dragão (1-1), na 1ª mão do play-off da Liga dos Campeões

Mariana Cabral

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ESTELA SILVA / Lusa

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Algures durante a estreia do novo programa da Sport TV+, “Titulares”, segunda-feira à noite, Sérgio Conceição falou de Otávio, que treinou na época passada no Vitória de Guimarães. O treinador explicou que o miúdo, então com 20 anos, já tinha talento a rodos, mas que treinador e jogador tiveram algumas chatices porque faltava a Otávio atitude competitiva, no entendimento de Conceição.

Um ano depois, Otávio voltou do empréstimo ao Vitória como um jogador renovado (percebe-se: a cara de Conceição quando se irrita mete medo). O miúdo brasileiro continua a ter o mesmo talento, mas também já tem, como se viu esta noite no Dragão, uma atitude competitiva acima da média, a ponto de parecer que já carrega este Porto às costas, em determinados momentos.

É que a equipa de Nuno Espírito Santo, esta noite disposta num 4-4-2, com Adrián López (a surpresa) a jogar na frente com André Silva, não podia ter começado pior o jogo. Desorientada em campo, raramente conseguiu ter bola e foi vendo a Roma dominar e criar uma série de ocasiões de golo.

Primeiro foi Salah a tentar um chapéu a Casillas, mas Felipe aparecer a salvar. Logo a seguir, o mesmo Salah rematou de fora da área para defesa de Casillas. Uns minutos depois, foi Dzeko a aproveitar uma atrapalhação de Maxi e Marcano e, principalmente, um disparate de Casillas, que largou uma bola que parecia controlada - mas o avançado da Roma permitiu que Alex Telles defendesse o remate, já em cima da linha de golo.

MIGUEL RIOPA

Com Otávio pela esquerda, Danilo e André pelo meio (o primeiro mais atrás e o segundo mais à frente) e Herrera mais pela direita, o Porto ia tendo muita dificuldade em controlar a largura defensivamente, uma vez que a Roma variava frequentemente o centro do jogo e empurrava o Porto cada vez mais para trás.

Tão para trás que, num canto, aos 21 minutos, Felipe esqueceu-se que não devia estar orientado, lá está, para trás - ou, melhor dizendo, para a própria baliza - e marcou um autogolo. É verdade que a bola passa rápido e o novo central do Porto não tem tempo de reagir antes que ela lhe bata na perna, mas, dentro da área, um defesa não deve defender com o corpo orientado para a própria baliza, porque é provável que ponha a bola... na própria baliza.

Depois de mais duas defesas seguidas de Casillas, a remates de (sempre ele) Salah e Nainggolan, o Porto começou finalmente a libertar-se do seu próprio meio-campo, à meia-hora de jogo. E os culpados foram quase sempre os mesmos: Otávio, pois claro, e André Silva, outro dos portistas mais interventivos no jogo.

Foi precisamente através dos dois miúdos que o Porto começou a dar a volta ao resultado. André já tinha rematado para defesa de Alisson e Otávio (depois de uma vírgula incrível) já tinha rematado para fora, mas foi uma assistência de Otávio para André, à entrada da área, que mudou o jogo.

O Porto não marcou ali, mas Vermaelen, que se estreava hoje pela Roma, deu um pontapé no peito de André Silva e viu o segundo amarelo. Ou seja, o Porto ficava a jogar com mais um aos 41 minutos.

MIGUEL RIOPA/Reuters

Otávio festejou como se fosse golo (não foi, já que o livre foi muito mal batido por Herrera) e parecia que já adivinhava o que se ia passar no início da 2ª parte. Já com a Roma mais recuada no campo - Luciano Spalletti substituiu o extremo Perotti pelo defesa Emerson Palmieri -, o Porto chegou ao golo por - surpresa - Ádrian López.

Contou... mas não contou. Depois dos festejos, o árbitro Björn Kuipers - talvez alertado por um dos colegas - decidiu corrigir a decisão e marcou fora de jogo, aparentemente de forma correta.

Só adiou o inevitável: o Porto continuou por cima e, aos 61', Emerson pôs a mão onde não devia (até já tinha posto antes, mas o árbitro dessa vez não marcou nada). Penálti que André Silva bateu de forma impecável (quem diz que este rapaz tem 20 anos?) para o 1-1.

Já com o Porto de volta ao 4-3-3, entretanto entraram Layún e Corona e saíram André André e López, mas o resultado não se alterou, apesar de ter havido muito mais ataques portistas do que italianos. Num dos melhores, Otávio cabeceou para defesa de Alisson.

No final, Nuno ia pôr em campo Rúben Neves... mas mudou de ideias e pôs Evandro. Rúben voltou a sentar-se e começou a chorar. Também não era caso para tanto. O Porto continua na luta pela Liga dos Campeões. E Rúben continua a ser um grande jogador.