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Um mexicano é bom, dois são de mais, três é uma escola de nachos (mas ela não se queixa): o 11 do FCP visto pelo Lá Em Casa Mando Eu

O blogue Lá Em Casa Mando Eu é escrito por um casal com muitos problemas conjugais ao nível da bola: ela é portista fanática e ele é benfiquista ferrenho. O clube dela sofreu complicações com o Estoril e ela precisa de desabafar

Catarina Pereira

FERNANDO VELUDO / LUSA / EPA

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Casillas

"Oye, de verdad, os pido por favor que esta temporada me dejéis en paz!", gritou Casillas aos avançados do Estoril, que cumpriram a ordem e se mantiveram bem longe da sua baliza. Defendeu apenas dois remates fáceis na primeira parte e afastou com os olhos a tentativa de Felipe Augusto aos 53 minutos. O que será que a imprensa espanhola vai inventar desta vez para criticar?

Maxi

Estava a dormir aos 12 minutos quando um adversário lhe apareceu pelas costas, mas, com o que correu e lutou, tem imunidade diplomática para fazer asneiras.

Felipe

Curiosamente, quando não marca golos na própria baliza parece-me logo melhor jogador. Teve hoje um bom exemplo do que será grande parte da Liga portuguesa: ficar cá atrás a olhar para o ônibus da outra equipa.

Marcano

Fez um cabeceamento perigoso aos 7 minutos, a testar os reflexos de Moreira, que já não saltava assim desde o golo que sofreu do Deco em 2002/2003 [para relembrar AQUI]. Desta vez, a dupla de centrais esteve segura (ai, o que eu sonhava escrever isto mais vezes...), mas também tudo fica mais fácil quando o adversário abdica de atacar.

Layún

Já diria Pedroto: um mexicano é bom, dois são de mais, três é uma escola de nachos. Mas eu não me queixo. Layún recuperou a titularidade devido ao injusto castigo de Alex Telles e aos 23 minutos brilhou ao cruzar para Dankler, que decidiu enviar a bola à trave da própria baliza só para desafiar a sorte e testar o meu coração. Voltou a marcar - e bem - os cantos de ambos os lados e foi ele a cruzar para o golo decisivo de André Silva.

Rúben Neves

Nuno prometeu na conferência de imprensa que o foco da equipa estava neste jogo e não no próximo contra a Roma. Da parte dele nota-se que não estava a pensar na Liga dos Campeões, pois quando está não deixa Rúben Neves entrar. Sem Danilo (a prova viva de que o scouting de Jorge Jesus não falha), a defesa perdeu força mas o ataque ganhou qualidade de passe. Será sempre um suplente de luxo, não vale a pena chorar.

Herrera

Importante quando corre, pressiona e decide rápido; escondido quando não faz nenhuma das três. Pode ter concorrência séria a chegar caso se confirme o regresso de Oliver, que, não sendo nenhum Zé Manuel (craque que veio do Boavista e que foi inexplicavelmente emprestado ao Setúbal), será sempre um bom reforço.

Otávio

Se todos os jogadores que emprestarmos ao Vitória de Guimarães voltarem com esta raça, proponho que passe a ser obrigatório assim que qualquer reforço assine contrato. Naturalmente, seria um problema se esse reforço viesse do Braga, mas parece-me que esta semana ficou provado que mais depressa Portugal ganha uma medalha nos Jogos Olímpicos do que o FCPorto faz um bom negócio com António Salvador. Neste jogo, Otávio voltou ao seu habitat natural (o centro) e cedo mostrou outros dotes, com um cabeceamento à trave logo aos 7 minutos. Lutou muito até sair e festejou já no banco o golo da vitória.

Varela

Foi empurrado na área logo no arranque da partida, mas infelizmente as alterações às leis do jogo proíbem os árbitros de assinalar penáltis a favor do FCPorto nos primeiros 5 minutos. Foi um dos muitos a jogar ao mata com a defesa estorilista e saiu ao intervalo para dar lugar ao rapaz espanhol que subiu da equipa B.

Corona

Começou por fazer parecer fácil furar a linha defensiva de 150 jogadores do Estoril e aos 42 minutos teve uma das melhores oportunidades, num remate que Moreira agarrou. Tem, tal como oito dos administradores nomeados para a Caixa, a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo: correr, dominar a bola, cruzar, rematar. Provavelmente o melhor em campo.

André Silva

Há quem vá ao hospital porque tem queda de cabelo, já eu achei que precisávamos de um ponta-de-lança que tirasse o lugar a André Silva. Ambos os casos se integram na categoria "falsas urgências". Foi tentando de tudo para marcar: com os pés, com a cabeça, de perto, de longe. Conseguiu finalmente, aos 84 minutos, num golaço à Jardel (o bom, não aquele do Sporting). Fica a estatística devastadora: tem mais golos do que Slimani e Jonas juntos.

Adrián López

Prometi a mim própria começar do zero a minha relação com Adrián López, mas fica difícil quando, aos 50 minutos, deixou a bola bater-lhe na cabeça, a cruzamento de Corona. Escrevo "deixou a bola bater-lhe na cabeça" porque me recuso a chamar àquilo um cabeceamento. Terça-feira há novo episódio, juro que vou continuar a tentar.

Sérgio Oliveira

O bronze do Rio de Janeiro (não o da Telma, o do tom de pele do Sérgio mesmo) não foi o suficiente para acertar na baliza, aos 83 minutos, a cruzamento de Layún.

André André

Entrou numa altura em que os jogadores do Estoril já sofriam de gastroenterite como se estivessem em Paredes de Coura, perdendo minutos preciosos no chão. Não deixou a equipa desistir.

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