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FC Porto, quem te viu e quem te vê

Depois de largos anos a transferir estrelas aos milhões, os dragões encerraram o mercado com €9,25 milhões em caixa e um único jogador vendido. É a fatura de três anos de seca, no verão em que leões e águias dominaram o mercado

Isabel Paulo

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Desde 2004, o ano em que Mourinho encantou a Europa e o FC Porto venceu pela segunda vez na sua história a Liga dos Campeões (a primeira ainda era Taça dos Clubes Campeões Europeus), nunca os portistas assistiram a uma janela de transferências de verão tão sombria. Até quinta-feira, dia do fecho do mercado nas principais ligas europeias, a SAD azul e branca ficou aquém dos 10 milhões de euros: 6 milhões pela venda de Maicon ao São Paulo e 4,2 milhões pelos os empréstimos de Aboubakar (Besiktas) e Suk (Trabzonspor), os únicos a render dinheiro vivo entre uma longa lista de 18 jogadores cedidos.

Mesmo com o superagente Jorge Mendes a ajudar, sem golos e títulos não há milagres que sempre durem, depois de todos os santos terem ajudado no verão passado, defeso em que, mesmo acumulando dois anos de deserto de troféus, o FC Porto viveu o seu melhor mercado se sempre, ao bater o recorde de mais de 115 milhões de euros em vendas.

No último pacote de luxo da era em que os dragões detinham a posição dominante de transferências do futebol português abalaram Danilo para o Real Madrid, Alex Sandro para a Juventus e Jackson para o Atlético de Madrid, entre outros negócios menores.

Espírito Santo com o menino (Brahimi) nos braços

Agora, no princípio de uma nova era incerta, a herança deixada por Julen Lopetegui, agravada pela passagem fugaz de José Peseiro, foi pesada. Não só a SAD se viu incapaz de alienar com lucros ativos como Marega e Hernâni (V. Guimarães), Alberto Bueno (Granada), Josué (Galatasaray), Ghilas (Gazientepspor), Andrés Fernandez e José Angel (Villarreal) e Martins Índi, como Nuno Espírito Santo ficou com um menino nos braços em que ninguém quis pegar: Brahimi.

Descartado durante a pré-época, o avançado deixou escapar o lugar para Otávio, não fazendo sequer parte dos convocados desde o jogo com o Vitória de Guimarães, da segunda jornada. Fora da montra, ao contrário de Slimani, em quem Jesus apostou tudo até às vésperas da partida para o Leicester, o internacional argelino, detido em partes iguais pelo FC Porto e pela Doyen Sports, foi dado como pretendido por Arsenal, Liverpool, Galatasaray e Everton, mas após o compromisso com a seleção voltará à casa de partida, à espera de melhores dias.

É o segundo sapo que Espírito Santo terá de engolir, depois de Pinto da Costa ter empurrado o desdenhado Adrián López para o colo do treinador na pré-época na Alemanha. Dois casos que Nuno terá de gerir com pinças para não desvalorizar ainda mais os dois pesados investimentos, nem fazer mossa num plantel em construção.

Apertada pelas regras do fair play financeiro, a SAD atacou o reforço da equipa com prudência ao deixar cair o seu ex-central milionário Mangala, emprestado pelo Manchester City ao Valência. Para o seu lugar chegou o francês Willy Boly, do Sp. Braga (5,8 milhões), a últimas das seis caras novas que aterraram no Porto para tentar devolver o prestígio perdido no mercado dos grandes da bola.

Ao todo, o investimento do clube em reforços ronda os 30 milhões de euros, um lance que do ponto de vista financeiro não deixa de ser uma heresia face ao volume de vendas e ao prejuízo de 37,5 milhões nos primeiros nove meses da época finda.