Tribuna Expresso

Perfil

FC Porto

O FC Porto perdeu dois pontos para um personagem do Harry Potter (e há alguém irritado no Lá em Casa Mando Eu)

Catarina Pereira ficou desiludada com o empate portista e nem com Óliver ficou satisfeita: “É bom, mas não é nenhum Talisca”.

CATARINA PEREIRA, LÁ EM CASA MANDO EU

O FC Porto começou bem perante o Copenhaga, mas acabou mal

FRANCISCO LEONG/Getty

Partilhar

Casillas

Apareceu no jogo aos 11 minutos, com uma defesa a um cabeceamento de Santander, o que pode trazer-lhe problemas com a banca espanhola. Uns minutos mais tarde, saiu da baliza, fez de conta que ia acertar na bola, deixando o avançado dinamarquês cabecear porque já sabia que este ia falhar. No golo do Copenhaga confiou na defesa do FC Porto, que ainda não é tão tecnologicamente evoluída como o nosso museu.

Layún

Esteve melhor a atacar do que a defender, o que não seria problema para mim se não fosse... um defesa. Foi por aquele lado que o Copenhaga criou mais perigo e o golo deles nasceu precisamente de um cruzamento de Toutouh sem oposição de Layún. Uma vez que Toutouh se lê "Tu-Tu", imagine como foi aborrecido ouvir que o Layún não o conseguiu controlar.

Felipe

Fez a sua parte na marcação aos dois avançados do Copenhaga, ambos com cabedal suficiente para exigir um segundo resgate a Portugal e com aquele ar horrível de quem vive num país civilizado em que as pessoas pagam impostos para terem Saúde e Educação.

Marcano

Aos 20 minutos fez dois cortes seguidos, um deles com o calcanhar, ganhando aquela confiança perigosa de um central que normalmente antecede uma grande asneira. Já na segunda parte, sentiu-se capaz de fintar um adversário e tentar conduzir a bola no meio-campo, com um porte que me levou a imaginar Durão Barroso a entrar na Goldman Sachs. Infelizmente, roubaram-lhe a bola e teve de acabar a dar pau para recuperar. Juncker viu e deu-lhe amarelo. Passou depois a capitão, com a saída de Herrera, porque responde aos critérios para um capitão do FC Porto hoje em dia: 1) respira 2) tem um membro superior capaz de ostentar uma braçadeira fluorescente.

Alex Telles

Se não viram o golo do Copenhaga, não percam a excelente oportunidade de ver o que não deve um lateral fazer num cruzamento que vem do outro lado. Passava o minuto 52 quando Alex Telles deixou a bola chegar ao adversário e a confusão que se instalou na área do FC Porto acabou com o golo de Cornelius, que com este nome de personagem do Harry Potter nos levou assim dois pontos para Hogwarts.

FRANCISCO LEONG/Getty

Danilo

Não consigo encontrar falhas ao campeão europeu e só me resta dar-lhe um voto de encorajamento na candidatura à ONU (parece que já estou a ver Valentim Loureiro: “Guterres! Guterres! Danilo! Danilo!”).

Óliver

Logo aos 4 minutos, fez a bola passar por baixo das pernas de um adversário para desmarcar Herrera. Com a saída de Quintero para o “Narcos”, está visto que é nele que temos de concentrar todas as nossas expectativas de grandes malabarismos com a bola. Aos 41 minutos, fez mais um grande passe que desmarcou Corona, que ainda cruzou, mas André Silva não chegou. Teve uma das últimas oportunidades do jogo, aos 92 minutos, mas cabeceou por cima a um cruzamento de Alex Telles. É bom, mas não é nenhum Talisca.

Herrera

Foi exímio na arte de ver o Copenhaga jogar, sem correr o risco de pressionar o adversário um bocadinho para ver no que dava. Saiu aos 70 minutos para entrar Brahimi e para ir fazer o jantar.

Corona

Aos 32 minutos sofreu penálti, ao ser carregado por um braço nas costas, mas isto até foi bom porque não podemos perder o ritmo de sermos roubados. Na segunda parte, Nuno tentou colocá-lo mais perto de André Silva, como segundo avançado, e a experiência correu tão bem como a vantagem do Sporting em Madrid. Saiu aos 62 minutos para dar lugar a Depoitre.

Otávio

Marcou o golo do FC Porto aos 13 minutos, quando, após ter recuperado a bola, fez uma tabela com André Silva, que deixou de calcanhar, e rematou para o fundo das redes. Aos 66 minutos sacou a expulsão de Gregus, prejudicando notoriamente a equipa, que parece não saber jogar contra 10 homens atrás da linha da bola. Saiu aos 82 minutos para entrar Diogo Jota.

André Silva

Foi outra vez mais “avançado que faz jogar” do que “ponta-de-lança matador”, o que foi pena, porque desta vez não começou com Depoitre ao lado e era suposto rematar mais à baliza. Ainda assim, fez a assistência para o golo de Otávio.

Depoitre

É excelente a receber bolas de costas para a baliza e a devolvê-las sem precisão nenhuma. Também tem o talento de ganhar cantos ao primeiro poste e desviar a bola sem querer. Desta vez, aos 75 minutos, a bola seguiu para Danilo que ficou a pedir penálti. Teve a última oportunidade nos pés, aos 94 minutos, quando desperdiçou o passe de Brahimi com um calcanhar demasiado frágil.

Brahimi

Entrou aplaudido pelos adeptos e demonstrou vontade de ficar no FC Porto pelo menos até Janeiro. Aos 79 minutos, vimo-lo a ir fazer um corte à defesa, território inóspito para Brahimi antes de ser virtualmente vendido. Ainda rematou ao lado, aos 88 minutos, e ficou a pedir penálti no lance seguinte, quando tentou cruzar após ter passado um adversário na ala esquerda.

Diogo Jota

Fez-se notar aos 89 minutos, tendo recebido bem a bola e rematado rapidamente, mas a bola foi desviada por um dos 82726628393 jogadores do Copenhaga que defendiam o “chuveirinho” dos últimos minutos.