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Só saiu fumaça do tubo de ensaio de Nuno Espírito Santo

Mudanças táticas e no onze do técnico do FC Porto não funcionaram e os dragões saem de Tondela com um nulo. Quase sempre inconsequente e previsível, a nova experiência de Nuno Espírito Santo não resultou face a um adversário que se soube organizar. Já são cinco os pontos perdidos pelos azuis e brancos e ainda só vamos na 5ª jornada

Lídia Paralta Gomes

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NUNO ANDRÉ FERREIRA/LUSA

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O mundo acordou sobressaltado a meio da sesta da tarde de domingo. Nuno Espírito Santo acabava de anunciar a revolução. As tropas chamadas para a batalha de Copenhaga levaram o castigo pela falta de comparência e cinco novos soldados avançavam para Tondela, com reforço da artilharia pesada e o panzer Depoitre lançado para atacar as forças adversárias.

O mundo parou, viu o regresso do dragão ao 4x4x2, mas as promessa de vitória atascou em ataques inconsequentes pelo ar e iniciativas individuais sem resultados práticos. Pólvora seca que atrasa ainda mais o FC Porto nesta guerra que é campeonato nacional.

No laboratório do Dragão, Nuno Espírito Santo pegou em novo tubo de ensaio e escolheu cinco novos reagentes. Além de Depoitre, chamou Rúben Neves, André André, Brahimi e Boly. Juntou tudo, abanou mas de lá só saiu fumaça. Frente a um Tondela que na primeira parte fez o jeito a Iker Casillas, que no maior sossego veranil pode apreciar a beleza das paisagens beirãs, o FC Porto entrou virado para o ataque, com Brahimi e Otávio nas alas, mas sempre à procura de terrenos mais interiores e próximos de Depoitre e André Silva. Bem, pelo menos essa era a estratégia militar de Nuno, mas só em momentos de talento individual os dois primeiros conseguiram aproximar-se dos avançados.

O brasileiro ainda conseguiu tirar momentaneamente do marasmo quem se deslocou ao Estádio João Cardoso, com um belo toque de calcanhar que isolou Telles, mas o resultado era invariavelmente o mesmo, com a bola a sair descansadamente pela linha final ou a morrer nas mãos de Cláudio Ramos. As transições rápidas nunca resultaram, face a um adversário pouco talentoso mas organizado, que se adaptou com facilidade às mudanças de Nuno. Faltou sempre um organizador no jogo do FC Porto, que sofreu também com o apagamento dos laterais, Layún principalmente. Mérito de Petit, que não foi pequeno este domingo em casa.

E assim se passou uma primeira parte de final de verão em Tondela: muito sol, poucochinho futebol. O mais provável é que muita gente tenha retomado a sesta.

Ferrugem e osso

Talvez na reação a tamanho aborrecimento, na 2.ª parte o Tondela entrou afoito e obrigou mesmo Casillas a tirar o olhar da paisagem. E Nuno, vendo que o 4x4x2 que tão eficaz foi frente ao V. Guimarães pouco ou nada produzia em Tondela, tirou o panzer Depoitre para colocar Adrian López.

Depoitre, depois de impressionar frente aos vimaranenses, limitou-se este domingo a passear o seu corpanzil de boxeur, fazendo lembrar o Ali de “Ferrugem e Osso”. Mas a diferença é que no filme francês de 2012, Ali (que por acaso era belga) ia à luta para alimentar o filho e Depoitre nunca conseguiu ganhar um combate nem sequer se mexeu muito para o fazer. Muita ferrugem e pouco osso.

A entrada do mal-amado Adrian López (e antes de Óliver) deu outra dimensão ao ataque azul e branco, mas apenas nos últimos 15 minutos o FC Porto criou verdadeiro perigo, com o espanhol e André Silva a falharem boas oportunidades. Antes, repetiram-se as bolas pelo ar, num desespero preocupante à 5.ª jornada da Liga.

A Revolução de 18 de setembro não vai ficar para a história. Ou vai. Só em maio se saberá. O FC Porto não criou, afundou-se na passividade e leva já cinco pontos perdidos. O tempo das experiências começa a esgotar-se. Podemos começar a falar de crise?