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A noite foi de Jota Jota Jota

Nuno Espírito Santo deu a titularidade a Diogo Jota e o miúdo respondeu com três golos. Na vitória por 4-0 frente ao Nacional viu-se um FC Porto mais afoito e o técnico azul-e-branco poderá ter encontrado na Choupana a dupla de ataque que tanto procurava.

Lídia Paralta Gomes

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RUI SILVA/Getty

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Foi nos infantis que Diogo José Teixeira da Silva se lembrou de colocar “Diogo J.” por cima do número da camisola. Não demorou muito até os colegas começarem a chamar por um tal de “Diogo Jota”. Afinal, era o que eles liam cada vez que o miúdo arrancava em direção à área e as costas era o único que lhe conseguiam ver.

Esta noite, na Choupana, o FC Porto venceu o Nacional por 4-0 e foram três as vezes que se gritou o nome de Diogo Jota. Três vezes que os centrais do Nacional já só lhe conseguiram ver as costas. Três vezes em menos de 45 minutos. Nuno Espírito Santo gostou do que viu em Leicester e deu pela primeira vez a titularidade ao rapaz que os dragões pediram emprestado a Madrid, num jogo em que o FC Porto ganhou bem mais do que três pontos: ganhou um avançado, ganhou uma dupla de ataque e ganhou até um pouquinho daquela “dinâmica” tão apregoada por Nuno antes de embarcar para a Madeira.

O FC Porto deste sábado esteve longe da equipa quase anémica das últimas semanas, embora o Nacional tenha feito oposição modesta. Com a entrada de Diogo Jota e Hector Herrera no onze, os dragões foram desde logo mais afoitos, como se tivessem tomado uma colherada de ferro antes da partida. Houve mais circulação de bola e mais vontade de arriscar. No fundo, houve mais sangue, ainda que o coração não tenha batido sempre de forma regular.

A intensidade de jogo ainda é uma questão para este FC Porto, mas a ressaca da Champions passou rápido. A juventude é mesmo assim, acorda-se e está-se fresco. E ontem foi mesmo a noite dos miúdos.

Chegaram 45 minutos

A mobilidade de André Silva e Diogo Jota, essa dupla de ataque 100% nacional e com 19,5 de média de idade (Fernando Santos a esta hora rejubila), rapidamente causou problemas à defesa de três centrais do Nacional. O FC Porto tentou desde logo aproveitar a ausência de laterais, colocando bolas longas para as alas, onde os dois miúdos apareciam como raios.

RUI SILVA/Getty

Tentaram uma, duas, três vezes, com Layún e Telles a perceberem que por ali havia muito espaço. Mas não foi por ali que o FC Porto marcou o primeiro. Aos 11 minutos, Herrera tabelou com Diogo Jota no corredor central e o jovem internacional português - 19 aninhos apenas - deu o toque final. Ainda estava a começar a noite de sonho de Jota e já parecia verdade absoluta: à terceira, Nuno tinha acertado finalmente no melhor homem para acompanhar André Silva, depois de tentar com o pinheiro Depoitre e com Adrián López, que este fim de semana nem lugar no avião teve.

A dupla Silva-Jota funcionou na plenitude aos 38 minutos. André lançou o colega de ataque na esquerda e Diogo, com um toque simples, mas de classe - que frieza para os 19 anos -, colocou a bola por cima de Rui Silva. Seis minutos depois, o hat-trick fez-se de cabeça, com Jota a responder a um cruzamento de Layún. Em 45 minutos, estava feita a história do jogo e a história da estreia de Diogo Jota, que haveria de sair aos 72 minutos para os aplausos.

Há 14 anos que nenhum jogador marcava três golos em 45 minutos na liga portuguesa. E nunca um português tão novo marcou um hat-trick com a camisola do FC Porto. Aquela bola que Diogo Jota levou debaixo do braço no final do jogo? Vai dormir com ela, seguramente.

Perante um Nacional muito desfalcado - Manuel Machado preparou o jogo com sete baixas - o FC Porto baixou naturalmente o ritmo numa 2.ª parte pouco interessante. Valeu pelo merecido golo de André Silva, um daqueles golos “à ponta de lança” como tanto gostamos de dizer na gíria: Otávio cruzou na esquerda e o internacional português respondeu na pequena área com um toque subtil.

A equipa da casa pouco se viu. Que se contasse, apenas um lance de perigo, aos 40 minutos, que Felipe resolveu com um corte já muito perto da baliza de Casillas. Houve ainda alguns fogachos de Salvador Agra no início da 2.ª parte, mas parecia certo que os três golos que a equipa da Madeira sofreu antes do intervalo eram três golos a mais do que aqueles que iria conseguir marcar.