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Herrera paga tanto IMI quanto Cavaco Silva (e outras simetrias perfeitas do Lá Em Casa Mando Eu)

Catarina Martins está feliz porque André Silva finalmente tem companhia e acha que a vitória na Madeira foi toda ela orquestrada por Danilo, cheio de pressa para ir aproveitar o sábado à noite no Funchal.

CATARINA PEREIRA, LÁ EM CASA MANDO EU

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HELDER SANTOS/Getty

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Casillas

Jogo perfeito do guarda-redes espanhol: por um lado, nem deixou o Nacional rematar na direcção da baliza; por outro, nem se precisou de atirar quando os remates de longe passavam ao lado. Teve um daqueles dias de chefe: podia ter chegado tarde, saído mais cedo e só mandado umas bocas que ninguém ia atrever-se a dizer-lhe alguma coisa.

Layún

Fez mais uma assistência para golo e aumentou a probabilidade de Maxi Pereira vir precisamente a assistir a muitos jogos no banco. Destaco, no entanto, que aos 3 minutos recebeu um passe de Danilo na ala direita e o fiscal-de-linha assinalou fora-de-jogo quando Layún estava a cerca de um metro do último defesa do Nacional, um lance que poderia ser estudado nas aulas de Criminologia ou substituir aquelas letras grandes nos testes de visão.

Felipe

Agradeço ao Nacional por ter jogado contra nós com um avançado argelino, porque Felipe estava a precisar um bocadinho de melhorar as suas exibições contra estes adversários. Vamos começar por estes mais mansinhos, sem cadastros de cotoveladas e afins, para depois evoluirmos para os que nos marcam sempre golos.

Marcano

Jogo calmo e sem problemas do central com menos olhar de central do mundo (Felipe, por exemplo, tem aquele olhar de central com violência contida, à Pablo Escobar, ou mesmo explícita, à Jorge Costa). Ainda dobrou um erro do central com olhar de central com um bom corte e foi lá acima no fim do jogo tentar fazer golo, como os miúdos que se chateiam de ir à baliza quando estão a ganhar por muitos.

Alex Telles

Alguns erros de posicionamento e de abordagem, que felizmente não deram em nada. Conseguiu a proeza de reclamar com o fiscal-de-linha no único fora-de-jogo que o homem até marcou bem.

Danilo

Observou de lá de trás o massacre que os rapazinhos da frente iam fazendo à defesa do Nacional, sempre com aquele ar de quem orquestrou tudo e ainda por cima está com pressa, porque é sábado à noite e o senhor comendador tem coisas para fazer.

Herrera

A assistência que fez para o primeiro golo de Diogo Jota leva-me a concluir que Herrera está mais próximo de Cavaco Silva do que à partida seria de esperar: anda há anos a declarar-se muito pior jogador do que realmente é só para tentar pagar menos IMI. Tentou ainda um pontapé de bicicleta aos 90 minutos, mas não parece destinado ao lado bonito da vida.

Óliver

Não foi o melhor jogo para se destacar: corria tudo tão bem que não foi preciso chamar um "descomplicador". Por outro lado, beneficiou do facto de a bola ter estado mais tempo no chão e menos naquela ponte aérea defesa-ataque-sem-escala-no-meio-campo. Só espero que tenha a humildade de agradecer a Nuno Espírito Santo por hoje ter decidido deixá-los jogar a modalidade que tanto aprecia.

Otávio

Juro que ia escrever que era uma pena que um médio adaptado à ala esquerda ainda não tivesse aprendido a cruzar, porque saltou-me aos olhos um cruzamento desastroso, aos 57 minutos, um lance que Marega, por exemplo, executaria de letra, com precisão, para o ponta-de-lança, que só precisaria de encostar a bola, enquanto os jornalistas escreveriam que mais de metade do golo era dele. Um minuto depois, Otávio recebeu a bola no lado esquerdo e cruzou milimetricamente para André Silva marcar o quarto, estragando-me esta estúpida intervenção.

Diogo Jota

Nuno tentou Depoitre, depois Adrián Lopez, e só ao 3.º acertou no companheiro ideal para André Silva no ataque. Fez uma grande exibição, marcou 3 golos e, para este texto se tornar uma simetria perfeita, só faltava que um clube estivesse a ganhar por 3 golos e ainda fosse sofrer outros 3.

André Silva

Estava num daqueles dias em que parecia fazer tudo bem menos acertar na baliza. Aos 21 minutos, por exemplo, falhou um golo isolado num chuto para a frente de Layún (ou, leia-se, jogada insistente do ataque do FC Porto) que Marega decerto não perdoaria. Mas fez a assistência para o segundo golo e fechou a contagem aos 58 minutos, aliviando-me de um resultado perigosíssimo de 0-3. Com Diogo Jota ao lado, parece ter reencontrado a felicidade de quem é absolvido após partilhar uma cela com Depoitre e Adrián.

Maxi Pereira

Entrou aos 72 minutos e não levou nenhum cartão amarelo. Claramente Nuno não deu uma indicação precisa de que jogador adversário seria para eliminar.

Brahimi

Se Slimani quer que Brahimi jogue a titular no FCPorto, então devo dizer que estragou a vida ao amigo, pois, para mim, todos os desejos de Slimani são, idealmente, para destruir. Dou outro exemplo: se Slimani quiser Guterres a secretário-geral da ONU, eu sou pela búlgara.

Rúben Neves

Nuno decidiu dar-lhe minutos para o senhor comendador Danilo descansar. Bonito.