Tribuna Expresso

Perfil

FC Porto

FC Porto apresenta os piores resultados de sempre: €58,4 milhões de prejuízo

Admnistração da SAD portista justifica resultado líquido consolidado negativo em €58.411 milhões com falhanço na transação de jogadores e indemnizações a Lopetegui e Peseiro. As contas enviadas esta quarta-feira à CMVM confirmam o maior prejuízo da história portista desde a crição da SAD em 1997, cenário que deverá colocar os Dragões no radar do fair play financeiro da UEFA

Isabel Paulo

FRANCISCO LEONG/Getty

Partilhar

A SAD do FC Porto acaba de enviar à CMVM (AQUI) o Relatório e Contas relativo à época 2015/16, exercício que revela um resultado líquido consolidado negativo em €58.411 milhões, bastante inferior ao obtido no período homólogo, positivo em €19.352 milhões. O Expresso já antecipara este cenário há três semanas.

As contas a vermelho são justificadas pela administração portista “principalmente devido à diminuição dos resultados com transações de passes de jogadores”.

Os Proveitos Operacionais, excluindo proveitos com passes, reduzem-se em €17.778 milhões, atingindo agora os €75.811milhões, “fundamentalmente devido à quebra das receitas de participação nas provas europeias”. Os Custos Operacionais, excluindo custos com passes de jogadores, crescem 13%, equivalente a €14.091milhões, devido ao aumento dos custos com os fornecimentos e serviços externos, “mas também pelo pagamento de indemnizações às equipas técnicas lideradas por Julen Lopetegui e José Peseiro”, sustenta a SAD no relatório enviado ao regulador do mercado.

As rubricas relacionadas com passes de jogadores (amortizações e perdas por imparidade com passes e Proveitos/Custos com transações de passes) tiveram um saldo líquido de €7.102 milhões, o que representa um decréscimo de €44.025 milhões relativamente ao período homólogo.

Tal como se previa após um ano de vendas falhadas de jogadores, o abono de sobrevivência dos clubes portugueses com défices crónicos de gestão corrente, também o capital próprio consolidado da SAD baixou para os €25.864 milhões, representando uma diminuição de €57.240 milhões, pela incorporação do resultado líquido obtido no período.

O ativo cresceu €15.810 milhões face a 30 de junho de 2015, situando-se nos €375.045 milhões devido ao aumento do valor contabilístico do plantel que atinge os €90.625 milhões no final do exercício, isto apesar de o FC Porto estar em jejum de títulos há três épocas. O passivo total atinge os €349.181milhões, o que representa um aumento de €73.049 milhões face a 30 de junho de 2015, enquanto o passivo passivo remunerado cresceu apenas €11.327milhões.

O prejuízo hoje divulgado já era previsível, depois de a SAD ter fechado o 3º trimestre com um resultado líquido negativo de €37,904 milhões. Esta é a terceira vez que o FC Porto apresenta contas negativas em cinco anos, tendo apresentado contas no vermelho em 2011-12 ( - €35,7 milhões) e em 2013-14 ( - €40,7 milhões), enquanto em 2012-13 ( + €20,3 milhões) e em 2014-15 os resultados foram positivos ( + €19 milhões).

Na apresentação do Relatório e Contas há um ano, Fernando Gomes, o administrador financeiro da SAD, analisou o exercício como um “verdadeiro case study”, atribuindo o sucesso de tesouraria às mais valias com jogadores que somaram €82,5 milhões no ano transato.

Um cenário que mudou radicalmente no lapso de uma época. As contas de clubes e SADs terão de ser enviadas até sexta-feira, 15 de outubro, para a UEFA, não devendo o FC Porto escapar ao radar financeiro do organismo que tutela e regula as contas dos clubes participantes nas provas europeias.