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Vendas caíram para metade mas FC Porto diz que não foi por falta de pretendentes

O outrora crónico campeão de vendas viu encolher as receitas de transações de passes em €43,8 milhões na última época. Vendas de jogadores saldaram-se em €38,6 milhões em 2015/16, quando no ano anterior superaram os €80 milhões. Administrador Fernando Gomes diz esta foi uma opção estratégica e que o total das propostas para compra de jogadores rondou os €95 milhões

Isabel Paulo

Pinto da Costa (à direita) e a SAD do FC Porto quiseram dar esta época um bom plantel a Nuno Espírito Santo (à esquerda), explicou o administrador Fernando Gomes

MIGUEL RIOPA/Getty

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O recorde negativo do exercício 2015/2016 foi uma política assumida da SAD portista, segundo afirmou Fernando Gomes nesta manhã de quarta-feira na divulgação das contas no Dragão Caixa. A administração da SAD refere que a prestação de contas do exercício, as piores de sempre (€58,4 milhões negativos), “é marcada pela decisão estratégica de não transferência de alguns ativos da sociedade, com a finalidade de competir ao mais alto nível em 2016/17”.

Segundo Fernando Gomes, a decisão foi tomada em sintonia com a equipa técnica durante a janela de transferências do verão. “Vender representaria um duro golpe nas aspirações do clube para a temporada em curso”, frisou.

“No final da época passada, tivemos solicitações para um total de €95 milhões, com vista à venda de jogadores como Danilo, André Silva e Herrera, que consideramos a espinha dorsal do plantel”, referiu o responsável pela área económica-financeira da SAD.

Fernando Gomes admitiu que os prejuízos da SAD “têm consequências ao nível do incumprimento do fair play financeiro da UEFA”, embora sem especificar as eventuais sanções em que o clube pode incorrer.

A 31 de março último, o valor líquido do plantel estava avaliado em €78,7 milhões (€65,9 milhões a 30/6/2015). Nas contas fechadas a 30 de junho último e enviadas hoje à CMVM, a avaliação do plantel foi inflacionada para os €90,6 milhões.

Decisão de risco

No agravamento recorde dos resultados operacionais da SAD, que atingiram €41,5 milhões negativos, em contraste com os €34,4 milhões positivos obtidos no exercício 2014/15, pesou sobretudo a quebra de vendas de jogadores.

No R&C, a SAD revela que os proveitos com transação de passes foram da ordem dos €75.3 milhões, valor resultante da alienação dos direitos desportivos de Alex Sandro, vendido à Juventus por €26 milhões no verão de 2015, já após o fecho de contas do exercício anterior, de Imbula para o Stoke City (€24 milhões) e de Maicon (€12 milhões).

Já os custos com a transação destes passes, nos quais se registam os custos associados das transferências, de comissões de intermediação e o abate contabilístico do passe do jogador, atingiram os €36,6 milhões, fazendo baixar para €38,6 milhões o resultado real da operação dos três jogadores, uma queda de €43,8 milhões em relação ao período homólogo.

Apesar de ter ficado em branco em campo, no primeiro ano da época de Julen Lopetegui a SAD registou um recorde de mais-valias de transferências acima de mais de €82 milhões, receita encaixada com as vendas de Mangala e Defour para o Manchester City e Anderlecht, respetivamente, e ainda de de Danilo e Jackson Martinez para o Real Madrid e Atlético de Madrid.