Tribuna Expresso

Perfil

FC Porto

O desperdício do FC Porto não estava nos desenhos

O FC Porto tropeçou no Bonfim, onde não perdia pontos há quase duas décadas. Oportunidades foram mais que muitas, mas a equipa de Nuno Espírito Santo não saiu do nulo e bem pode queixar-se de falta de eficácia. E também de uma grande penalidade não assinalada sobre Otávio já nos últimos 10 minutos

Lídia Paralta Gomes

Otávio e Jota bem tentaram, mas faltou eficácia ao FC Porto em Setúbal. O Benfica já está a 5 pontos.

JOSE MANUEL RIBEIRO/Getty

Partilhar

Na aula de Educação Visual da última semana faltou a Nuno uma lição essencial: evitem o desperdício. O FC Porto tropeçou no estádio do Bonfim (0-0), território onde normalmente não falha e onde havia ganho os 17 jogos anteriores, em todas as competições. Pela primeira vez desde 1997/98, os dragões deixaram pontos em Setúbal, num jogo em que criaram oportunidades mais do que suficientes para vencer e em que a arbitragem também não ajudou por aí além. Certo, certo é que a liderança já está a 5 pontos.

Na 1.ª parte o FC Porto não jogou mal, que é uma daquelas apreciações que diz tudo e não diz nada. Ou seja, não foi bonito, não foi rápido, até chegou a ser chato, mas a verdade é que os dragões criaram oportunidades de golo quanto baste, principalmente depois de uns primeiros 20 minutos de bocejo e ‘rame-rame’, em que só um momento acrobático de Felipe nos tirou do marasmo. O defesa brasileiro (cada vez mais seguro nas suas funções, diga-se) respondeu com um pontapé de bicicleta a um livre de Layún, mas Bruno Varela estava atento e não permitiu que o número circense resultasse.

A partir daí surgiram as melhores oportunidades dos dragões, com Diogo Jota e Oliver a chamarem a si o estatuto de desperdiçadores-mor, se é que esta expressão existe. Aos 25 minutos, Jota pegou na bola ainda no seu meio-campo, correu por ali fora e no momento certo deixou para o outro miúdo emprestado pelo Atlético Madrid. Oliver rematou contra Varela, quando tinha André Silva ali mesmo ao lado e sem qualquer oposição.

Quatro minutos depois, Alex Telles fez um daqueles cruzamentos mais que perfeitos e Jota, que é pequenino mas mexe-se bem, apareceu no meio dos centrais para cabecear. Foi ao lado e Jota arreliou-se, lançando um daqueles impropérios gorduchos de quem não está feliz consigo mesmo - ainda bem que não havia microfones ali ao pé.

Mais falhanços

Até ao intervalo, Iker Casillas foi um espectador privilegiado das tentativas azuis e brancas de enganar os defesas sadinos, mas Vasco Fernandes e, principalmente, Fábio Cardoso, raramente falharam. Cardoso deve ter aprendido uma coisa ou duas sobre André Silva quando ambos eram colegas de quarto nas seleções jovens: o avançado do FC Porto esteve mais escondido que o habitual.

A boa fase do FC Porto não estancou com o intervalo e continuou nos primeiros minutos da 2.ª parte, com os dragões a entrarem pressionantes e muito ativos pelas alas. Os ataques sucediam-se e aos 48 minutos, André Silva falhou o cabeceamento após bom cruzamento de Layún. Um minuto depois Jota gingou da esquerda para o centro, rematando em jeito mas por cima. A vontade era muita, mas a eficácia não estava lá.

JOSE MANUEL RIBEIRO

Ao contrário do que aconteceu na 1.ª parte, o V. Setúbal não se escondeu e o jogo entrou num momento agradável à vista, com animação e rapidez nas transições de parte a parte. Só faltavam mesmo os golos.

Aos 54’ Jota colocou definitivamente a coroa de rei do desperdício. Otávio recebeu na esquerda e decidiu brincar com André Geraldes. Vou por aqui, não, mais uma finta, outra revienga, agora sim. O cruzamento saiu redondinho para a área, com Diogo Jota a cabecear para as mãos de Bruno Varela, numa defesa que ainda não sabemos se foi instinto, boa colocação ou apenas um milagre.

A partir daí o jogo ficou partido e o árbitro João Pinheiro apareceu um pouco mais do que devia. Primeiro bem, ao anular um golo ao V. Setúbal - Fábio Cardoso estava de facto adiantado. Depois pior, ao não assinalar uma grande penalidade aos 84 minutos na área dos sadinos. Otávio foi tocado na perna esquerda, com o juiz a considerar simulação do brasileiro. O FC Porto ainda pode queixar-se de uma carga a Rúben Neves à entrada da área já nos descontos, que João Pinheiro (quase sempre permissivo e confuso no critério) deixou passar.