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Um pesadelo cor-de-rosa choque

O Chaves eliminou o FC Porto num jogo que foi a prolongamento e acabou nos três penáltis que António Filipe defendeu. Acabou-se a Taça para Nuno Espírito Santo

Pedro Candeias

MIGUEL RIOPA

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Recapitulemos:
Antes do jogo com o FC Porto, o Desportivo de Chaves tinha quatro vitórias, seis empates, duas derrotas, 12 golos marcados e 10 sofridos em jogos oficiais. E o Desportivo de Chaves estava (e está) no sexto lugar do campeonato, com uma média de golos encaixados inferior ao número de jogos disputados (9 contra 10), e só o FC Porto e o Benfica tinham (e têm) defesas mais afinadinhas (5).

Dito isto:
E se estivéssemos todos errados? E se aqueles que mandam para lá do Marão também conseguissem mandar do lado de cá da linha definida por Torga? E onde está escrito que uma equipa que sobe à primeira divisão tem de jogar encolhida e acabrunhada? Provavalmente, na nossa cabeça, porque na cabeça dos futebolistas do Chaves não está.

Definitivamente, não está.

Basta ver o que eles fizeram durante a primeira parte contra este FC Porto, que não é o FC Porto de início de época, mas aquele que dominou o Benfica.

Aconteceu assim: a cada bola perdida, um encosto ou uma falta para a recuperar: a cada recuperação, uma arrancada de Battaglia ou de Willian, dois tipos fortes e intensos, que disputam os lances com o peso que a natureza lhes deu. Depois, claro, um bloco baixo e alinhado e coeso, que tapou os caminhos e encurtou as vistas aos que veem para lá que está à frente do nariz – Otávio e Diogo J.

É verdade que o FC Porto teve mais posse (64%) do que o Chaves na primeira parte, mas, a espaços, pareceu ter regressado à era Lopetegui: muita parra, pouca uva, nenhum sumo.

Na segunda-parte, o guião era para continuar: uma equipa a impelir e outra a travar; por outras palavras, o FC Porto a tentar vencer o Chaves pelo cansaço ou pela inércia, porque pelo génio ou pela criatividade não chegaria lá.

André André rematou à barra ao minuto 63' mas os lances de perigo foram descontinuados pelo Chaves, que tudo fez para cortar o ritmo e o ímpeto portista. Nos instantes finais, o FC Porto fez o que compte aos grandes quando enfrentam os outros: arriscou e apertou o ritmo, já com o gigante Depoitre (por troca com Otávio) em campo para dar peso e descoordenação motora ao ataque portista. Nada feito. Isto ia para prolongamento.

E com o prolongamento vieram Layún (saiu André André) e Evandro (saiu Varela), o que queria dizer que Brahimi ficaria de molho no banco pelo terceiro jogo consecutivo - o que é, no mínimo, curioso.

O FC Porto quis resolver mais cedo a eliminatória, antes dos penáltis, engoliu o meio-campo do adversário, atabalhoou lances de perigo, que não deram em nada, e um que podia ter dado se o árbitro tivesse visto o braço de Freire na bola –depois, João Capela também não viu o atropelo de José Sá a Elhouni, pelo que entre o deve e o haver, ficámo-nos pelo break-even point nestas coisas da arbitragem.

E seguimos para os penáltis e, nos penáltis, o jogo tomba para quem tem mais sorte. Ou então, para quem tomba mais vezes para o lado certo. António Filipe defendeu três grandes penalidades saltando sempre para o mesmo lugar - e o Chaves, vestido de rosa, a cor dos bons sonhos, transformou a noite portista num pesadelo.