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Morreu Carlos Alberto Silva, bicampeão nacional pelo FC Porto

Faleceu o treinador brasileiro que deu ao FC Porto o quarto bis de campeonatos da história do clube, entre 1991 e 1993. Carlos Alberto Silva tinha 77 anos e também orientou a seleção brasileira e o Guarani, em que venceu o único título brasileiro do clube, em 1978

Diogo Pombo

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O ano era 1991 e o FC Porto estava a crescer. Quatro dos últimos sete campeonatos estavam no museu do clube, mas, por duas vezes, o Benfica intrometera-se no objetivo de ganhar muitos títulos e muitos deles seguidos. Foi aí que chegou Carlos Alberto Silva.

O brasileiro, além de conhecido, tinha currículo. Já fizera o que mais ninguém, até hoje, conseguiu fazer - em 1978, deu o primeiro campeonato brasileiro ao Guarani, um pequeno clube da cidade de Campinas, no estado de São Paulo. Deu nas vistas o suficiente para, nos anos seguintes, treinador alguns dos grandes do país da ginga no futebol, como o São Paulo e o Cruzeiro. Até para treinar a seleção brasileira, entre 1987 e 1988.

Finda a aventura na canarinho, passou um ano no Japão e contou o tempo até alguém de Portugal lhe ligar. É Jorge Nuno Pinto da Costa, que o contrata nas vésperas de cumprir o décimo aniversário a liderar o FC Porto.

O presidente entrega-lhe uma equipa com dragões feitos, como João Pinto, André ou Jaime Magalhães, e alguns por fazer, entre Vítor Baía e Domingos Paciência. Em 1991/92, fecha o campeonato com 10 pontos a mais que o segundo lugar do Benfica. Na época seguinte, supera os encarnados em apenas dois pontos. Nunca tem o melhor ataque ou homens lá em cima na lista dos marcadores, mas termina, sempre, com a melhor defesa do campeonato.

Além do par de campeonatos, Carlos Alberto Silva conquista apenas uma Super Taça, a duas mãos, frente ao Benfica. Sofre do mal de nunca resistir muito tempo na Europa, caindo na segunda ronda da Taça das Taças, na primeira época, e ficando-se pela fase de grupos da edição inaugural da Liga dos Campeões.

Sai do FC Porto e volta ao Brasil para ser acolhido, de novo, por alguns grandes de lá. Passa por Cruzeiro, Palmeiras e Vasco da Gama antes de ir experimentar Espanha. É ele quem treina o Deportivo da la Coruña que começa a encher o peito no final dos anos 90, com Rivaldo, Mauro Silva, Donato e, pelo meio, com os português Nuno Espírito Santo e Hélder Cristóvão.

Despede-se da Galiza em 1998 e treina até 2005 quase sempre em clubes brasileiros. A exceção são as duas temporadas que passa nos Açores, onde toma conta do Santa Clara. Em 2002/03 manda na equipa que é despromovida à segunda liga.

O último clube que treina é o Atlético Mineiro. Nos últimos anos, dedicava-se à Ibiza Turismo, empresa da qual era dono, no Brasil.

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