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Futebol, pé. Futebol Clube do Porto, cabeça

Os portistas ganharam por 4-2 e três golos foram marcados por três elementos defensivos e todos de cabeça em lances de bola parada. A pressão está agora do lado do Benfica

Pedro Candeias

ESTELA SILVA/LUSA

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Antes do triunfo de hoje a coisa estava assim para os lados do FC Porto: V E D E V V V V V V E E E E E. Olhar para o históricos dos últimos 15 jogos dos portistas (todas as competições incluídas) é como ter um ECG à frente dos olhos, com altos e baixos, baixos e altos, consistentemente inconsistente. Era o que Nuno Espírito Santo andava a dizer em cada conferência quando não fala das fortalezas e dos caminhos e da mágoa: o que faltava a este FC Porto era engatar uma série de bons resultados e ser tão forte no ataque como era na defesa.

Depois, aconteceu o Rio Ave.

E o futebol mostrou-nos como pode ser ilógico e, por isso, imprevisível: o FC Porto que marca pouco e sofre pouco, ganhou com quatro golos, três deles de bola parada, todos de cabeça, marcados pelos dois centrais (Felipe e Marcano) e pelo trinco (Danilo), assistidos pelo defesa esquerdo (Alex Telles); e o quarto golo foi de Rui Pedro e não de André Silva, o que contraria a tese de que só este é capaz de fazer o gostinho ao pé. Por outro lado, o FC Porto sofreu dois golos em casa após disparates defensivos, um de Casillas e outro de Layún.

É verdade que os lances de bola parada fazem parte do jogo e o Porto aproveitou-as bem; e isto quer dizer que Nuno Espírito Santo os trabalha e isso só diz bem dele. Que sabe que o plantel é curto em opções e tenta resolver os problemas que lhe aparecem com alguma imaginação: sem Brahimi (na CAN), Diogo Jota viaja para a esquerda, entra Herrera para o meio-campo e Corona joga à direita. E quando o improvável aconteceu e Corona saiu por lesão, Nuno Espírito Santo lançou André André porque no banco tinha Kelvin, o extremo que regressou num contexto caricato.

E foi o pequeno jogador filho de outro pequeno grande jogador histórico do Porto que sacudiu a equipa no meio-campo com aquela intensidade que não dura muito - mas que é dura enquanto dura. O FC Porto reagiu à cambalhota do Rio Ave e conseguiu refazer-se do susto e de um fantasma que podia ensombrar o final de tarde no Dragão.

Contas feitas, e apesar dos sobressaltos, há três pontos que ficam do lado de NES e o caráter de uma equipa que até faz o que o treinador diz: não desiste. E se assim é, o Benfica terá, pelo menos neste FC Porto, um adversário à altura até ao final do campeonato.

Nota: o Rio Ave de Luís Castro é uma equipa que joga bem à bola, no campo todo, contra qualquer adversário. E quando assim é, os jogos serão tendencialmente melhores. Como o de hoje.