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Não era um bocadinho assim que faltava ao Porto. Era um Tiquinho assim

O FC Porto ganhou em Guimarães e o brasileiro Tiquinho Soares foi a figura do jogo, tal como fora diante do Sporting, há uma semana. A história da ineficácia portista passou à História?

Pedro Candeias

FRANCISCO LEONG

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Devia ser mais difícil acertar no onze do FC Porto do que acertar num alvo com uma mão no dardo, outra no guiador, dentro de um carro em movimento - e, ainda assim, há quem execute este truque o que torna a adivinhação da equipa portista no exercício mais complicado que se conhece.

É ver este onze, em Guimarães, que Nuno Espírito Santo fez alinhar: Danilo, Herrera, André André e Brahimi. Nem Óliver. Nem Corona. E um 4-4-2 estranho, com Herrera a descair para a direita, André André a fazer de oito e às vezes de dez, e Brahimi a tentar esticar o jogo à esquerda.

Convenhamos, era de todo improvável que NES mudasse tanto depois daquilo que o FCP fizera na primeira-parte contra o Sporting: uma entrada forte e destemida, com dois extremos abertos e talento e imprevisibilidade um bocadinho por todo o lado. Em Guimarães, contra o Vitória que não tinha Marega e Hernâni (ambos emprestados pelos portistas) e deixou de ter Soares (que entretanto foi para o Porto), o técnico portista terá decidido jogar pelo seguro - deu músculo e fibra, tirou imaginação.

E o resultado disto foi uma primeira parte jogada a meio-campo, de canela contra canela e finca-pé, e duas ocasiões de golo, ambas para o FC Porto. Numa delas, Soares fez o 1-0, aproveitando um remate, quero dizer, uma espécie de remate de André Silva que resultou em assistência apenas, e só, porque o brasileiro trouxe algo novo a esta equipa. Algo que não se ensina e que nasce contigo: intensidade. Soares é um tipo chato. E Soares vai a todas.

Se a teoria do antropologista Raymond Dart estiver certa - ele dizia que todos os homens descendem de dois primatas, do chimpanzé (mais agressivo) ou do bonobo (menos agressivo) - já sabemos a linhagem de Soares. Em dois jogos, o brasileiro a quem chamam de Tiquinho marcou três golos e de repente a história da falta de objetividade e da ineficácia portista já passou à História.

Na segunda parte, Pedro Martins, com aquele semblante carregado de falso calmo, fez o que lhe o competia tentando mexer no jogo ou pelo menos na cabeça dos jogadores. O Vitória entrou mais pressionante, subiu no terreno, pôs à prova a versão melhorada de Marcano, obrigou Danilo a correr e a fazer mais faltas, e o FC Porto foi perdendo a guerra no meio-campo.

Foi então que NES refez a estratégia, pondo Corona no lugar de André Silva (segundo jogo consecutivo a ser substituído) e abrindo o ataque de dois, para três: dois extremos, um avançado. Com isto, Herrera e André André aproximaram-se de Danilo e a guerra no centro equilibrou-se a tempo de começar a lançar contra-ataques para explorar o espaço nas costas do Guimarães.

O encontro partiu-se, bola cá e bola lá, a coisa podia cair para qualquer um dos lados, mas aterrou direitinha no pé de Diogo Jota, que fez o 2-0 após um disparate do guarda-redes Douglas. O português entrara para o lugar de Brahimi, voltou aos golos (o último fora a 7 de dezembro) e ‘matou’ o jogo quando este estava a entrar na zona de ninguém.

O FCP está outra vez a um ponto da liderança e passou o ciclo apertado sem um arranhão e com duas boas crónicas para contar: ganhou ao Sporting e ao Vitória. E O Benfica joga na terça-feira contra o Borussia e no fim de semana vai a Braga.

Aceitam-se apostas.