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Operação Fénix: Antero Henrique em silêncio para evitar contradições com Pinto da Costa

Ex-administrador do FC Porto não quis prestar declarações no arranque do julgamento onde está acusado de seis crimes de recurso a segurança privada ilegal

Isabel Paulo

O ex-administrador da SAD e vice-presidente do FC Porto, Antero Henrique, à entrada do quartel dos Bombeiros Voluntários de Guimarães para o início do julgamento onde é um dos 54 arguidos da “Operação Fénix”, em Guimarães

José Coelho / Lusa

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Ex-administrador do FC Porto era o segundo arguido a ser ouvido no caso Operação Fénix mas prescindiu de prestar declarações. Ausência da manhã e silêncio esta tarde foi tática da defesa para evitar contradições com Pinto da Costa e permitir a abordagem ao caso de Antero Henrique com novos dados após a inquirição de outros arguidos, segundo apurou o Expresso junto de fonte próxima do processo.

O ex-diretor geral da SAD portista, que pediu para faltar ao julgamento nos próximos 15 dias por motivos profissionais, está acusado de seis crimes de recurso a segurança privada ilegal tal como Pinto da Costa, partilhando ainda o mesmo representante legal, Gil Moreira dos Santos.

A ordem de inquirição dos 54 arguidos foi decidida pelo coletivo de juízes presidido por Miguel Teixeira, partindo dos acusados com crimes menos graves ou com o mesmo tipo de crimes, caso do líder portista e do seu ex-delfim.

Por esta lógica, o último a ser ouvido será Eduardo Silva, mais conhecido por Edu, acusado de 22 crimes, o mais grave de associação criminosa. Ao contrário de Pinto da Costa, que foi ouvido esta manhã e negou ter alguma vez recorrido a segurança privada, a maioria dos arguidos prescindiu de prestar declarações, de todo ou por enquanto.

Na chamada de identificação ao juiz, boa parte dos arguidos, vigilantes ou ex-vigilantes da empresa SPDE – Segurança Privada e Vigilância em Eventos, optou por alterar a profissão de supervisores de segurança para a anódina designação de comerciais. Uma verdade alternativa concertada por alguns defensores, segundo um dos advogados.

Depois de Antero Henrique se ter escusado a prestar declarações foram ouvidos mais dois arguidos todos ligados à SPDE. Luís Magalhães, a residir em Bruxelas, acusado de um crime de exercício de segurança privada ilegal e posse de arma proibida não quis falar, tendo referido que a arma em causa nunca foi usada mas guardou-a como recordação de quando esteve no Exército.

Paulo Sousa, outro arguido ouvido no primeiro dia do julgamento do caso ligado a Máfia da Noite (controlada por Edu, gerente da SPDE), acusado de extorsão agravada, refutou todas as acusações.

O tribunal já marcou audiências para os próximos seis meses. A última sessão antes das férias foi agendada para 4 de agosto. O julgamento retoma a 1 de setembro. Esta quinta-feira, Edu será o último dos arguidos a prestar declarações.

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