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Pinto da Costa diz que recorreu a ajuda (mas não a seguranças) para se proteger do afeto desmedido dos adeptos

Presidente do FC Porto disse em tribunal que o sócio-gerente da SPDE e outro elemento o acompanharam algumas vezes à Afurada, em Vila Nova de Gaia, não como seguranças mas apenas para o proteger do carinho dos adeptos, só para evitar ser “asfixiado”

Isabel Paulo e Lusa

JOSÉ COELHO / Lusa

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Pinto da Costa negou esta manhã ter alguma vez recorrido ao serviço de segurança privada da empresa SPDE, que apenas exerce funções nas instalações do FC Porto em dias de jogos.

O lider portista disse em tribunal que Eduardo Jorge Lopes Santos Silva, sócio-gerente da SPDE e outro segurança da empresa o acompanharam algumas vezes à Afurada, em Gaia, não como seguranças mas para o proteger do afeto desmedido dos adeptos do clube, só para evitar ser "asfixiado".

"Era preciso criar um espaço de segurança para evitar que as pessoas caíssem em cima de mim", afirmou. Essas visitas à Afurada acabaram por ser proibidas pelo médico, tal era a afluência de pessoas interessadas em falar com ele. "É claro que não precisava de guarda-costas, isso era até ofensivo para aquela gente", referiu o dirigente.

Falou também numa sessão de um lançamento de um livro, em que estariam 5000 pessoas e em que teve de parar ao fim de mil autógrafos, porque já "não sentia o pulso".

Pinto da Costa disse ainda que os elementos da empresa de segurança privada SPDE acompanhavam a equipa do FC Porto não para a sua segurança pessoal mas sim para impedir que os adeptos entrassem no hotel para pedir autógrafos.

Alegou que também pediu a intervenção da SPDE para fazer vigilância à casa que tinha sido da mãe e que "vinha sendo assaltada há meses". Negou que tivesse pedido segurança pessoal para os seus familiares, nomeadamente para a mulher.

Na "Operação Fénix", Pinto da Costa está acusado de sete crimes de exercício ilícito da atividade de segurança privada, por alegadamente ter contratado serviços de acompanhamento e proteção pessoal a uma empresa que sabia não dispor de alvará para o efeito. "Ando em qualquer sítio sozinho, na rua, sem segurança", referiu.

Sublinhou que não seria por levar "dois ou três seguranças" com ele que deixariam de lhe "fazer mal".

Mais de 50 arguidos da "Operação Fénix", entre os quais Pinto da Costa e o antigo administrador da SAD portista Antero Henrique, começaram esta manhã a ser julgados em Guimarães.

O julgamento decorre no quartel dos Bombeiros Voluntários daquela cidade, uma vez que a Comarca de Braga não dispõe de uma sala com capacidade para acolher tanta gente, entre arguidos, advogados e forças policiais.

A "Operação Fénix" é um processo relacionado com a utilização ilegal de seguranças privados.

Os arguidos respondem por associação criminosa, exercício ilícito da atividade de segurança privada, extorsão, coação, ofensa à integridade física qualificada, ofensas à integridade física agravadas pelo resultado morte, tráfico, posse de arma proibida e favorecimento pessoal.

A lista de arguidos integra a empresa SPDE - Segurança Privada e Vigilância em Eventos, acusada de um crime de associação criminosa e outro de exercício ilícito de atividade de segurança privada.

O sócio-gerente da SPDE, Eduardo Jorge Lopes Santos Silva, responde por aqueles dois crimes e ainda por detenção de arma proibida. A acusação sustenta que este arguido seria o líder de um grupo que se dedicava à prática de atividades ilícitas relacionadas com o exercício de segurança privada.