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Edu alega que proposta de protecção pessoal partiu do FC Porto

Dono da empresa que desde 2011 presta serviço de segurança ao FC Porto avançou, esta quinta-feira, em tribunal que minuta de assinatura de um segundo contrato de assessoria e segurança à direção, equipa técnica e todo o setor do futebol patriu do clube e não de si ou de qualquer responsável da SPDE

HUGO DELGADO/LUSA

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Eduardo Silva, sócio-gerente da SPDE - empresa de Segurança Privada e Vigilância em Eventos - garantiu, esta tarde, segundo dia do julgamento do processo Operação Fénix, que a extensão contratual para alargar a prestação de serviços de segurança das instalações do universo do FC Porto e jogos no Dragão não partiu da sua firma, mas da administração do clube.

Edu, nome pelo qual é mais conhecido no mundo da noite, adiantou ao coletivo de juízes que a minuta com a proposta de assinatura de um contrato mais lado do que o inicialmente assinado em 2011, que veio a ser rubricado em 2014, não tem assinatura nem qualquer logótico ou outro tipo de identicação que vincule a SPDE, alegando que a mesma terá sido gizada pelo FC Porto, sem precisar, contudo, o nome do autor da proposta.

Questionado pelo juiz-presidente, Miguel Teixeira, sobre a razão porque era apelidado de 'Maestro' em várias escutas telefónicas, o principal arguido do megaprocesso envolvendo a empresa que nos últimos anos dominou a segurança dos estabelecimentos de noturnos no Grande Porto, e cujo braço se estendia ainda de Vila Real a Lisboa, explicou que esse era o seu nome de “código rádio nos serviços no Dragão”.

Segurança de profissão há duas décadas, a única que exerceu desde 18 anos, Eduardo Silva revelou que o contrato de serviços ao universo FC Porto custa 12.500 euros/mês, vínculo que inclui desde 2014 “assessoria e segurança à direção, equipa, equipa, técnica e todo o setor de futebol do clube”.

Edu respondeu ainda que a empresa legalizada em 2004 “não tem alvará de proteção pessoal”, embora afiance que muitos dos seguranças da SPDE tem cartão devidamente credenciado “para proteção pessoal”, como ele prórprio “que está habilitado tudo ao nível de serviços de segurança”.

Artur Marques, advogado do arguido, desdramatiza a acusação de exercício ilegal de segurança privada, alegando que assessoria e segurança não configura serviço de proteção pessoal mas de acompanhamento. O advogado de casos mediáricos como o Apito Dourado ou o de Fátima Felgueiras considera também serem excessivas as medidas de coação aplicadas ao seu cliente, detido em meados de julho de 2015, em prisão preventiva na PJ de Lisboa e transferido há 15 dias para o Estabelecimento Prisional da Judiciária do Porto. Enquanto decorrer o processo, já com audiências marcadas até 4 de Agosto e que irá retomar a 1 de setembro, Edu é transportado, bem como outros quatro arguidos em preventiva, do Porto para o quartel de Bombeiros Voluntários de Guimarães, sob fortes medidas de segurança.

Os cinco detidos e os os outros nove arguidos com pulseira eletrónica almoçam no Estabelecimento Prisional de Guimarães, encontrando-se em média no salão onde decorre um contigente de 20 elementos, sendo o policiamento assegurado pela PSP de Braga e Guimarães, a Unidade Especial de Polícia do Porto e a Guarda de Intervenção dos Serviços Prisionais (DIPS).

Ameças a chefe da PSP: “Não foi brilhante”

Acusado de 17 crimes de exercício ilítito de actividade de segurança privada, associação criminosa, favorecimento pessoal e detenção de arma proibida. Esta tarde, Eduardo Silva começou a ser interrogado sobre a sua ligação ao grupo de segurança conhecidos por Grupo dos Ninjas que atuavam com violência no mundo da noite na região do Vale de Sousa, Vale do Ave e Cávado, tendo o arguido assumido que alguns elementos trabalhavam em parceria com a SPDE, embora com alguma autonomia e não tivesse conhecimento de eventuais desmandos.

Assumiu ter-se precipitado ao autorizar a “intalação de vigilância móvel” (ronda de carro) na zona do Vale de Sousa, “feita a pedido a pedido dos supervisores de segurança locais”.Quanto à expressão “Mato a todos à porrada” caso a firma não seja contratada para uma nova discoteca em Matosinhos, conversa gravada numa escuta telefónica com o responsável administrativo da SPDE e também detido, Eduardo Silva afirmou ao juiz ter sido “um desabafo”, dado os problemas financeiros e não só que os responsáveis do espaço mantinham com a SPDE e outros estabelecimentos.

Eduardo Silva diz que a sua ideia era começar a afastar-se do mundo da noite, perigoso e mal-conotado, para se dedicar cada vez mais á segurança de recintos e eventos, que estima ser já 70% da faturação da empresa.

Edu também admitiu ter ameaçado e gritado um comissário da PSP, no Estádio Dragão, por não concordar com o lugar onde a os agentes de autoridade queriam fazer a fiscalização aos vigilantes da SPDE. Justificou que nos jogos da Champions qualquer tipo de irregularidade está sujeito a pesadas multas para as empresas de segurança e que não fazia sentido fazer a fiscalização numa sala antes dos seus seguranças estarem devidamente fardados e calçados.

Perante o juiz, fez mea culpa pelas expressões “negativas“, como “vou f...os cornos a um polícia” e similares. “Não são brilhantes. Foi um dia mau”, confessou. Amanhã, continua o julgamento de Eduardo Silva, após esta quinta-feira já terem sido ouvidos dois ex-supervisores de vigilância noturna, suspeitos de ainda de fazerem cobranças difíceis, que prestaram durante cerca de dois anos serviços para a SPDE em mais de 40 espaços em Lisboa. No essencial João Pereira (Pepe) e Francisco Maximiliano (Max), “ex-campeão nacional, europeu, mundial” de kickboxe, estão acusados de associação criminosa, extrorsão, exercício ilícito de atividade de segurança privada e coação.

No essencial negaram todos os crimes, apesar de a Pepe ter sido apreendido numa rusga ao carro dois tacos de basebol, um bastão extensível, gás pimenta e 510 euros em dinheiro. Explicou que os tacos era de criança, do filho mais velho, e que estranhou não terem levado a bola, enquanto o bastão tinha-o encontrado numa casa de alterne e que não se lembrou de entregar à polícia. O gás pimenta foi uma oferta que um dia trouxe á mulher de França para proteção.

Max, além de gás pimenta, foi apanhado na posse de duas armas de fogo e munições, que jura nunca ter usado, adquiridas também para proteção.