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Edu: “Só não dizem que faço segurança pessoal à minha mulher”

Depois de ter afirmado na quinta-feira que a empresa presta desde 2014 assessoria e segurança à direção, equipa e a todo o o sector do futebol portista, o principal arguido do caso Operação Fénix retocou, esta sexta-feira, o discurso à medida das alegações de Pinto da Costa

Isabel Paulo

HUGO DELGADO/LUSA

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Eduardo Silva, gerente da empresa que presta serviços de segurança privada ao FC Porto desde 2011, retomou esta manhã as declarações ao coletivo de juízos ao garantir que “nunca prestou qualquer tipo de serviços pessoal a elementos do FC Porto”. “Acusam-me de fazer segurança pessoal a toda a gente, só não dizem que faço à minha mulher”, afirmou ao coletivo de juízes na segunda audiência do julgamento do processo Operação Fénix, em Guimarães, refutando a tese do Ministério Público, que acusa o dono da SPDE – Segurança Privada e Vigilância em Eventos – de ter prestado serviços de segurança pessoal a elemntos do 'staff' do FC Porto.

Edu, como é conhecido no mundo da noite, assumiu que ele e outros vigilantes da empresa acompanharam dirigentes do FC Porto em algumas deslocações, “mas nestes casos apenas faziam serviços de assessoria em segurança”.

Na quinta-feira à tarde, o profissional de segurança com 20 anos de carreira revelou que em 2014 a sua empresa assinou com o FC Porto um segundo contrato de assessoria e segurança a todo o sector do futebol, incluindo acompanhamento da direção, equipa e equipa técnica.

Perante a dúvida em relação a estas funções, complementares às contratadas desde 2011 de vigilância às isntalações do universo azul e branco e dos jogos em casa, Eduardo Silva precisou, esta sexta-feira, que este tipo de assessoria passa, em certos casos, por fazer “uma primeira barreira” entre os adeptos e jogadores e responsáveis do clube, como terá acontecido numa fase em que o presidente estava cansado após ter sido submetido a uma intervenção cirúrgica.

Segundo o principal arguido do megaprocesso que junta no banco dos réus 53 acusados, além da co-arguida coletiva SPDE, a preocupação era “sempre em relação aos adeptos do FC Porto e ao carinho que eles quereriam demonstrar em relação à equipa e ao presidente, e não em relação à eventual hostilidade de adeptos de clubes contrários”, refere ainda a Lusa.

Além do “levantamento da situação junto ao hotel onde a equipa ia ficar hospedada”, a empresa aproveitava também para “filtrar” quem entrava no hotel.

As declarações de Edu, que alega ter ele e vários elementos da SPDE licença para exercer segurança pessoal, embora a empresa não tenha este tipo de alvará, vêm de encontro às afirmações de Pinto da Costa em tribunal, quarta-feira, que jurou nunca ter precisado de guarda-costa na vida, justificando a presença de Edu e outros elementos de segurança para o protegerem do afeto dos adeptos, a raiar a “asfixia”.

Aos juizes Pinto da Costa admitiu que alguém da SPDE acompanhou a ex-mulher, Fernanda Miranda, de casa ao Estádio do Bessa para assistir a um jogo do Boavista, porque o seu motorista estava ocupado, mas que os seguranças fizeram apenas serviço de transporte. “O Estádio do Bessa é o último em que preciso de segurança, dada a minha amizade com o Major Valentim Loureiro e o filho”, afiançou o líder portista, acusado de seis crimes de recurso à atividade de segurança privada ilegal.