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Os suspeitos do costume e o regressado. Chapa 4 no Dragão

FC Porto venceu tranquilamente o Tondela por 4-0 e entra para o fim de semana no primeiro lugar do campeonato. André Silva, Rúben Neves, Soares e Diogo Jota picaram o ponto pelo dragão

Tiago Oliveira

JOSE COELHO/ Lusa

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Mais vale perder um minuto na vida que a vida perdida num minuto, já nos dizia Graciano Saga. Não será caso para tanto dramatismo, mas olhemos para os factos: foi aos 44 que o FC Porto ficou em vantagem com um penálti cometido por Yordan Osorio e aos 45 que o mesmo jogador viu o segundo amarelo por falta sobre Soares. Um minuto, de facto.

Sequência de lances que deixou o FC Porto confortável para o que faltava na partida e colocou o Tondela mais vulnerável na sua estratégia de jogo. Tranquilidade traduzida numa goleada de 4-0 que deixa os dragões provisoriamente no primeiro lugar do campeonato. Mas a narrativa da primeira parte não faria antever, necessariamente, tal cenário.

Para o arranque de um jogo onde a Juventus e a importante primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões já apareciam no horizonte, Nuno Espírito Santo promoveu três alterações no onze em comparação com a vitória frente ao Guimarães. Corona, Rúben Neves e Otávio regressaram à equipa (o útimo não jogava desde dezembro) mas o treinador já tinha avisado: nada de complacência. O Tondela, último classificado do campeonato, apresentou como única mudança a entrada de Yordan Osório (se está a acompanhar o texto desde o início, já percebeu que esteve em evidência) e esperava um resultado positivo, como a vitória na época passada que deu início ao 'milagre da permanência'. Tudo a postos, portanto.

O início do jogo não desiludiu, com os azuis e brancos a demonstrarem um volume de jogo superior e a equipa da zona de Viseu a mostrar que não tinha levado o autocarro da viagem para o relvado. Logo aos 4 minutos, o filme recente dos jogos do Porto parecia repetir-se, com Soares a elevar-se entre os centrais e a cabecear enquadrado. Só não contava com o fator Cláudio Ramos, que com uma excelente defesa impediu a vantagem madrugadora dos dragões.

A primeira parte continuou sempre nas mesmos moldes. André André e Rúben Neves (em destaque) sempre a imprimirem boa circulação no centro do terreno e Corona e Otávio a desiquilibrar, fórmula que originou boas combinações ofensivas e calafrios na defensiva Tondelense. Mas no outro lado do campo o perigo rondava e Casillas teve que se aplicar aos 39 minutos perante o remate de Heliardo.

Voltemos ao ponto de partida, isto é, o minuto 44. Cruzamento para a grande área e Soares cai na área com Yordan Osorio. Penálti, protestos, primeiro amarelo, mais protestos e golo de André Silva. Um minuto depois, os mesmos protagonistas. Yordan Ososrio impede a passagem de Soares, noutro lance não consensual. Segundo amarelo e ordem de expulsão.

Sempre a marcar

Tudo diferente para a segunda parte, que começou com dois falhanços do FC Porto, o segundo de André Silva verdadeiramente escandaloso. As oportunidades desperdiçadas ainda deram alguma esperança de reação ao Tondela, que Rúben Neves fez questão de parar à nascença. Remate portentoso do meio da rua do nº6 portista que só parou no fundo das redes. 54 minutos, 2-0.

Depois de Otávio falhar mais um golo que parecia certo, as coisas ficariam ainda mais calmas. Mais um lance de inspiração com o suspeito recente do costume, Soares, a desmarcar-se pela esquerda e a colocar a bola em arco, sem hipóteses. Três jogos, quatro golos, dragão de pé, festa lançada. Com o Tondela já sem esboçar grande luta, Nuno Espírito Santo mexeu na equipa já a pensar nos desafios que se avizinham. Diogo Jota foi um dos chamados a campo e acabaria por carimbar o resultado final nos descontos.

Goleada consumada e cabeças agora centradas nos italianos. Os suspeitos do costume e o regressado cumpriram o seu papel. Agora é ficar com olhos postos no que Benfica e Braga vão fazer no domingo.