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Pinto da Costa: “Sempre pensei em sair, mas ainda ninguém se chegou à frente. Enquanto os sócios votarem em mim, não vou desistir”

O presidente do FC Porto recorda a vitória por 3-0 em Roma como tónico para vencer a Juventus. As relações entre os dois clubes também foram abordadas em entrevista ao “La Gazzetta dello Sport”

Francisco Perez

FRANCISCO LEONG

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Pinto da Costa concedeu uma entrevista ao jornal italiano “La Gazzetta dello Sport”, na qual abordou o embate com a Juventus nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O presidente salientou as boas relações que os portistas mantêm com os italianos, e mostrou-se convicto de que os “dragões” vão ultrapassar a eliminatória, recordando o play-off diante do Roma.

“Conseguimos eliminá-los, que eram favoritos, e também desta vez podemos mostrar coragem e qualidade. A Juventus pode ganhar a taça, mas nós também podemos vencer esta eliminatória”.

Mesmo assim, fica o respeito pela pentacampeã italiana. “Eles são uma grande equipa. Chegaram a uma final há dois anos, são muito difíceis de defrontar”.

O jogo ficará inevitavelmente marcado pelo reencontro entre Gianluigi Buffon e Iker Casillas, dois dos melhores guarda-redes em atividade. Para Pinto da Costa o guardião transalpino é o melhor jogador que passou pela “Vecchia Signora”.

“Eles já tiveram grandes jogadores mas tenho de escolher o Buffon, pela qualidade, profissionalismo e pelo amor infinito ao clube quando desceu de divisão. É uma lenda com uma história enorme e nós também temos um guarda-redes com a mesma qualidade, o Casillas”.

Uma derrota com sabor especial

Um confronto com os bianconeri não é novidade para os “azuis e brancos”. Em três confrontos, registam-se duas vitórias para os italianos, e um empate. Mas há uma derrota que Pinto da Costa não esquece.

Em 1984, na final da já extinta Taça das Taças, as duas equipas enfrentaram-se em Basileia, com a vitória a sorrir aos italianos por 2-1. Apesar do resultado, a partida capitalizou os “dragões” para a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus em 1987.

“Quando fui candidato em 1982, disse que queria vencer uma prova europeia, e dois anos depois chegámos lá. Havia entusiasmo, foi uma partida disputada com grande raça. Não fomos inferiores, perdemos devido a uma prestação menos boa do árbitro. Foi uma lição: depois da final disse a todos que venceríamos a próxima. Graças ao que aprendemos naquela noite, conseguimos a Taça dos Campeões de 1987, frente ao Bayern de Munique”.

Apesar de serem adversários, a relação com a Juventus é de amizade. “Somos dois clubes amigos e vai ser um prazer defrontamo-nos outra vez”. As transferências de Rui Barros e de Alex Sandro para Turim, mediadas por Pinto da Costa, foram “feitas com o máximo respeito”.

Sobre o defesa brasileiro, o presidente não tem dúvidas: “É um grande homem. Vai tornar-se no melhor lateral esquerdo do mundo”.

O diário italiano destacou ainda o facto de Pinto da Costa ser o presidente mais titulado da história do futebol mundial, com 58 títulos. Confrontado sobre a possibilidade de um dia deixar o clube, Pinto da Costa defende que enquanto tiver a confiança dos adeptos continuará a liderar a instituição.

“Sempre pensei em sair, mas ainda ninguém se chegou à frente. Enquanto os sócios votarem em mim, não vou desistir. Eles dão-me força para defender o FC Porto. Não tenho medo de enfrentar os tempos difíceis, como quando fui suspenso sem razão. Felizmente, também vivi momentos especiais, como a Taça de 1987, a construção do Estádio do Dragão e o nascimento do museu”.

O presidente manifestou ainda um desejo, que pode começar a ser construído já esta quarta-feira: “Gostaria que o FC Porto ainda fosse campeão europeu”.