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Os cartões vêm em minutos seguidos. E os golos também

O FC Porto perdeu por 2-0 com a Juventus em casa, num jogo em que aos 27 minutos já estava com menos um. A expulsão de Alex Telles, com dois amarelos em dois minutos, mudou a estratégia da equipa, que aguentou a artilharia pesada dos italianos até aos 73 minutos, quando a Juve marcou o primeiro. E o segundo logo a seguir. A Liga dos Campeões está muito complicada para os dragões

Lídia Paralta Gomes

MIGUEL RIOPA/Getty

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Durante a tarde desta quarta-feira, a NASA anunciou a descoberta de um sistema com sete planetas semelhantes à Terra a qualquer coisa como 39,5 anos-luz do Sol. E seria talvez num desses planetas que Alex Telles tinha a cabeça quando aos 27 minutos ‘ceifou’ Lichtsteiner, um minuto depois de ter levado amarelo por uma entrada dura sobre Cuadrado.

E de repente, aos 27 minutos de jogo, o FC Porto estava a jogar com 10. Numa 1.ª mão dos oitavos-de-final da Champions. Frente à Juventus. O que fazes quando não és favorito, do outro lado tens a Juventus e aos 27 minutos já estás com menos um? Basicamente, tentas aguentar.

E foi isso que o FC Porto fez até aos últimos 20 minutos de jogo, mais do que com espírito de sacrifício, com uma frieza defensiva que começa a ser imagem de marca desta equipa de Nuno Espírito Santo. Até que um lance de azar acabou por desmoronar a trincheira ou a fortaleza, a tal fortaleza que Nuno tanto gosta. Um ressalto no pé de Layún, à entrada da área, permitiu que Marko Pjaca, que entrara minutos antes para o lugar de Cuadrado, ficasse isolado frente a Casillas. Não perdoou.

E se a expulsão de Alex Telles tinha sido escrita em minutos seguidos, o resultado que deixa o FC Porto praticamente sem opções nesta eliminatória, também foi: aos 74 minutos, mal refeitos do golo sofrido, os jogadores azuis e brancos deram todo o tempo e espaço do mundo a Alex Sandro e o ex-dragão cruzou para o recém-entrado Dani Alves marcar na primeira vez que tocou na bola, depois de ganhar a posição a Diogo Jota, também este acabado de entrar.

Agora, a montanha parece demasiado difícil de escalar para o FC Porto, que ainda tentou nos últimos minutos surpreender em contra-ataque, mas já sem força mental para o fazer. Os acontecimentos dos minutos 73 e 74, depois tanto aguentar os acontecimentos dos minutos 26 e 27, foram um golpe demasiado duro.

Dez minutos de FC Porto

Olhar para a frente de ataque da Juventus faz qualquer um engolir em seco. Cuadrado, Dybala, Mandzukic e Higuaín metem medo e mas face a tal artilharia pesada, o FC Porto entrou com atitude, sem medos.

Foram muito bons os primeiros 10 minutos do FC Porto, pressionante, com vontade de surpreender, vontade essa bem visível na jogada de combinação entre Soares e André Silva, que acabou com o jovem português carregado por Chiellini à entrada da área. No livre, Brahimi rematou por cima, mas não muito por cima.

MIGUEL RIOPA/Getty

A partir daí a Juventus pegou no jogo, o FC Porto tentou travar o ímpeto atacante dos italianos com alguma dureza e aos 27 minutos Telles foi expulso. Nuno tirou André Silva, que não pôde assim marcar à lenda Buffon, colocou Layún e o FC Porto abdicou do ataque: importante mesmo era não sofrer e, quem sabe, surpreender num contra-ataque ou num lance fortuito.

Diga-se que numa situação altamente favorável, a Juventus teve muita dificuldade perante o pragmatismo da defesa do FC Porto e nisso os dragões têm mérito. A tal artilharia pesada funcionou pouco, salvando-se Dybala, muito perigoso nomeadamente na meia-distância - enviou uma bola ao poste esquerdo pouco antes do intervalo. Isto enquanto o FC Porto tentava por todos os meios travar a dinâmica da Juve, com Soares lá à frente, sozinho, a desgastar como podia os defesas adversários.

JOSE COELHO/EPA

A solução acabou por sair do banco: Pjaca e Dani Alves foram apostas de Allegri e marcaram. Mas talvez o jogo tenha ficado definido logo ali aos 27 minutos. Se com 11 já era difícil, com 10 seria quase um milagre.