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Kelvin e o pedido dos adeptos para vestir a camisola 92: “Seria uma provocação”

O jovem brasileiro regressou em dezembro do São Paulo, treinou com o Porto em Janeiro e viajou novamente para o Brasil, para representar o Vasco da Gama. Em entrevista ao “Lance!”, abordou a experiência nos “azuis e brancos” e recordou o momento mais alto da carreira.

Francisco Perez

MIGUEL RIOPA

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Kelvin chegou ao Futebol Clube do Porto em 2011, mas tem demorado a impôr-se no clube. De empréstimo em empréstimo, foi rodando em equipas brasileiras com o objectivo de ganhar minutos para um dia regressar em definitivo aos “azuis e brancos”.

Após dois anos divididos entre Palmeiras e São Paulo, o jovem de 23 anos aterrou na Invicta em dezembro, esteve presente no treino aberto aos sócios no começo de 2017, mas acabou por ser cedido ao Vasco da Gama.

Numa entrevista concedida ao jornal "Lance!", o avançado não se mostrou desiludido com o clube, mas acredita que lhe faltaram oportunidades depois de garantir aos portistas a conquista do seu último campeonato, em 2012/2013.

“Esperava ter mais oportunidades. No ano anterior marquei o golo, fui titular durante a pré-temporada, mas o treinador que depois chegou [Paulo Fonseca] não contava comigo. Disse-me para manter a forma na equipa B. Foi um momento que não percebi. Desmotivei-me, queria sair de qualquer maneira. Sabia do meu potencial e provei que poderia ajudar a equipa de qualquer maneira”.

No entanto, a sua ida para o Palmeiras só se deu quando Julen Lopetegui assumiu o comando técnico dos “dragões”.

“Quando ele chegou, eu já tinha pedido para sair. Avaliou-me, fiquei seis meses lá, e ele sempre foi sincero comigo. Ele nem queria que eu viesse para o Brasil, preferia que evoluísse na Europa”.

Sobre a relação com Pinto da Costa, o brasileiro foi directo: “Sempre tive uma boa relação com ele, sempre conversamos tranquilamente”.

O golo apontado aos 92 minutos no Estádio do Dragão diante do Benfica garantiu o último campeonato ao FC Porto, já que o clube passou para a frente da Liga nessa jornada, capitalizando a formação então orientada por Vítor Pereira para a conquista do seu 27º título.

Depois desse jogo, foram vários os pedidos de adeptos a Kelvin para envergar a camisola com esse número. O avançado recusou.

“É um momento deles, seria interessante para os adeptos, mas não para mim. Foi um momento que nunca vou esquecer, mas não fazia sentido. Seria uma provocação”.

O jogador de 23 anos esteve presente no treino aberto realizado no Estádio do Dragão no primeiro dia do ano, onde foi dos atletas mais ovacionados pela plateia. Ainda que não tenha tido muitas oportunidades no FC Porto, o golo que ajoelhou Jorge Jesus no relvado é um momento que os portistas nunca esquecerão.

“A relação com os adeptos é muito boa até hoje. Sabem do meu potencial. Estou confiante, sei que posso ajudar muito. Quando entro em campo, sou aplaudido para continuar com o meu trabalho. Sei que foi um momento histórico e nunca o vou esquecer”.

Com passagens por dois clubes rivais - Palmeiras e São Paulo - Kelvin afirmou ao jornal brasileiro que não se imagina a fazer o mesmo no Benfica, mas que não sabe o que o futuro lhe reserva.

“São coisas que não me passam pela cabeça. Hoje estou no Vasco. Já joguei em clubes rivais como o Palmeiras e o São Paulo. Nunca sabemos o dia de amanhã. Neste momento só penso no Vasco e para o futuro ainda não sei”.

Com contrato com os “dragões” até 2019, Kelvin espera ter mais oportunidades no Dragão. “Sempre quis fazer uma sequência de jogos. Na época em que fiz o golo [frente ao Benfica] isso aconteceu. Tive alguns minutos para mostrar o meu potencial. Tenho contrato por mais uns anos, e se conseguir jogar mais, ficarei feliz”.