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Sete são os dias da semana, sete são os pecados capitais e sete foram os golos do FC Porto contra o Nacional

E também as cores do arco-íris e as maravilhas do mundo antigo: foi uma autêntica blitzkrieg azul e branca no Dragão esta noite, com o FC Porto vencer o Nacional da Madeira por 7-0, na maior goleada da época. André Silva e Soares bisaram

Lídia Paralta Gomes

Só nesta foto há seis golos do FC Porto

FRANCISCO LEONG/Getty

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Esforça-te, tem calma, paciência: em menos de nada, vais aproveitar um erro e a partir daí tudo fica mais fácil. Esta é a história de muitos jogos de futebol por esse mundo fora e foi a história deste FC Porto-Nacional, que às tantas já não ficou fácil, ficou mesmo muito fácil para os dragões, que venceram por 7-0, com golos de Óliver Torres e Brahimi ainda na 1.ª parte e de Layún e Soares vezes dois e André Silva idem aspas após o intervalo.

A oitava vitória seguida do FC Porto (algo que num passado próximo só André Villas-Boas conseguiu) foi, assim, para começar e antes de se tornar num festival, uma vitória de trabalho, cujos frutos só apareceram à meia-hora de jogo. Até lá, o jogo foi assim para o desinteressante. Depois de um primeiro sinal de perigo aos 5 minutos, com André Silva - de regresso ao onze - a responder com uma bicicleta meio torta após uma amortecimento de Soares, o Nacional desatou a fechar todas e quaisquer linhas para a baliza.

E por falar em linhas, curiosamente foi pelo buraco da agulha que o FC Porto fez o primeiro. Aos 31 minutos, Alex Telles cruzou e quando Alex Telles cruza há algumas possibilidades de acontecer golo. Sabendo disso, Óliver antecipou-se a César e com um pequeno toque que ainda desviou no defesa do Nacional colocou a bola no pequeno espaço entre o primeiro poste e o guardião Adriano.

A partir daí, foi como se alguém tivesse dado um shot de adrenalina à equipa da casa. Brahimi e Soares agarraram na bola e toda a disciplina defensiva do Nacional morreu ali. E foi numa altura em que a bola já andava constantemente pela área dos madeirenses e já muito perto do intervalo que o argelino aproveitou um corte precisamente no coração da área para encher o pé e fazer o segundo golo. Tal como no primeiro remate certeiro, também este sofreu um desvio, neste caso de Nuno Campos.

O certo é que de golo em golo, de desvio em desvio, ao intervalo o FC Porto já tinha o jogo na mão. Tranquilamente, com toda a paciência.

FRANCISCO LEONG/Getty

Na 2.ª parte foi-se a tranquilidade e o FC Porto tornou-se elétrico. Sentindo que do lado do Nacional não haveria reação, foi só avolumar. Aos 52’, Oliver abriu na esquerda, André André (belo jogo!) cruzou e André Silva brindou o regresso à titularidade dando o toque final para o 3-0. E ainda as redes balançavam quando Soares fez o seu primeiro, no sexto jogo seguido a marcar, com André André novamente na jogada: o português recebeu o passe atrasado de Brahimi, rematou forte para a defesa de Adriano e o brasileiro estava no sítio certo para a recarga.

E como por esta altura já dava para fazer tudo e mais alguma coisa, a artilharia pesada do FC Porto continuou a sua blitzkrieg. Aos 62 minutos, Tobias Figueiredo foi expulso e no livre direto Miguel Layún limitou-se a aproveitar a completa confusão em que se tornou a defesa do Nacional: barreira mal colocada, Adriano a atirar-se fora de tempo e bola lá dentro.

O laço na mais gorda das goleadas do FC Porto esta época seria dado pelos dois homens-golo do Dragão: Soares bisou aos 70 e André Silva aos 89 e só não foram mais porque o jogo só tem 90 minutos. Foram sete golos, tantos quantos os dias da semana, os pecados capitais, as maravilhas do mundo antigo ou as cores do arco-íris. Mas às tantas até pareceu um resultado lisonjeiro para o Nacional.