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Déjà vu? Naaa. O FC Porto vai dormir descansado esta noite

O FC Porto entrou murcho frente ao Belenenses e o 1-0 com que saiu a vencer ao intervalo fez muito boa gente lembrar-se do que o V. Setúbal fez no Dragão há duas jornadas. Mas desta vez não houve surpresas: com uma 2.ª parte bem mais efetiva, o dragão chegou aos 3-0 e é líder à condição

Lídia Paralta Gomes

JOSE COELHO/EPA

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A 1.ª parte do FC Porto-Belenenses foi, digamos, enfadonha. Já se sabe que isto até ao final do campeonato já nem vale a pena falar de jornadas, mas sim de eliminatórias e já sabe também que os jogos a eliminar têm uma carga e uma pressão que os outros não têm. E isso poderá explicar a entrada do FC Porto no jogo, meio na expectativa, sem grande vontade de arriscar.

O Belenenses é uma equipa organizada, defende bem, e os da casa até permitiram alguma iniciativa ao rapazes do Restelo, ao jeito de “ora vamos lá ver o vocês vêm cá fazer”.

Não foi muito, para lá de umas arrancadas de Diogo Viana. Mas também não havia erros e os avançados do FC Porto não estavam exatamente em momento de idílio com a baliza adversária.

Pelo que ver o FC Porto chegar ao intervalo a ganhar 1-0, sem grande perfume e com um golo marcado na sequência de um livre deixou uma certa sensação de déjà vu. Poderia o Belenenses imitar o V. Setúbal há duas jornadas e gelar o Dragão na 2.ª parte?

Naaa. O FC Porto vai mesmo dormir descansado esta noite. Porque na 2.ª parte, finalmente, libertou-se. Ou os jogadores souberam o que tinham de fazer. E isso valeu mais dois golos e um suspiro de alívio a 15 minutos do fim.

Porque Soares estava na área quando foi preciso (e não a cirandar por todo o ataque como na 1.ª parte), porque houve mais magia de Brahimi e a entrada de Corona deu ao dragão uma efetividade nas alas que nos primeiros 45 minutos só tinha tido em alguns lances de Alex Telles e Maxi Pereira.

Mas voltemos atrás. À tal 1.ª parte em que o FC Porto andou meio perdido até Brahimi perceber que as coisas só iam endireitar com uns pozinhos de perlimpimpim, que ele tão bem sabe espalhar.

Ou uma bola parada. Ou ambas, vá.

Então foi assim: estávamos já nos 37 minutos e depois de mais de meia-hora de futebol em tons de bege, ou cinzento ou daquele verde escuro, eis que o argelino lá inventou uma finta junto à linha lateral, deixou dois jogadores do Belenenses KO e só foi parado em falta. E na sequência do livre, o golo.

JOSE COELHO/EPA

O mesmo Brahimi lançou para a área, André Silva numa luta de corpos com a defesa do Belenenses viu que Danilo estava sozinho e com um toque de cabeça deixou para o campeão da Europa, que viu a bola, puxou o pé lá atrás e disse “ora aqui vai disto”.

É sempre bom ter um André Silva que é muito mais do que um finalizador (esta noite foi um operário e isto é um grande elogio) e um Danilo que é muito mais do que um trinco - os quatro golos que já marcou esta época provam isso.

Vamos lá acelerar

Depois do intervalo o FC Porto ainda demorou a afastar o tal sentimento de déjà vu, mas quando o fez foi de vez.

Antes de resolver, Oliver teve nos pés o 2.º golo, depois de contornar o guardião Cristiano e rematar para a baliza do Belenenses. Mas estava lá Domingos Duarte, defesa com um certo dom da ubiquidade, a dar o peito às balas em cima da linha de golo. Na sequência, Boly fez um passe que nos deixou a pensar “ui, é mesmo um central?”, para um isolado Felipe que fez um remate que nos fez dizer “OK, é um central”.

O golo chegou logo a seguir, três minutos depois (70’). Corona, recém-entrado para o lugar de André Silva, passou com classe por Florent e fez um cruzamento perfeito para Soares, que no coração da área cabeceou sem hipóteses.

E com o FC Porto já tranquilo, Brahimi marcou de grande penalidade aos 74 minutos, um penálti que ele próprio sofreu, depois de mais uma arrancada venenosa que Domingos Duarte teve de parar com falta.

Do lado do FC Porto, o trabalho está feito: ao contrário do que tinha acontecido há duas jornadas, em que tinha falhado o assalto à liderança ao permitir o empate do V. Setúbal, conseguiu resolver na 2.ª parte, sem nunca perder a tranquilidade e serenidade e agora é líder à condição. E agora umas quantas unhas serão roídas na noite de domingo, à espera que o Benfica tropece em Moreira de Cónegos e que a liderança à condição se torne numa liderança efetiva.