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Qual é a resposta possível ao tetra? Quatro golos

FC Porto voltou às vitórias com uma goleada tranquila, por 4-1, na receção ao Paços de Ferreira, após a confirmação do Benfica como campeão nacional, na penúltima jornada da Liga

Tiago Oliveira

MIGUEL RIOPA/GETTY

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Como responder ao histórico tetra do Benfica? Da forma possível, com um tetra de golos. No último jogo da época 2016/2017 na fortaleza (Nuno Espírito Santo dixit) do Dragão o Futebol Clube do Porto despediu-se dos adeptos com uma vitória expressiva por 4-1 num jogo em que, após a derrota do Sporting e a vitória do Benfica, já nada estava em jogo. Tirando o brio na conduta profissional. Por outras palavras, o orgulho.

Apesar do pouco entusiasmo que se notava nas bancadas, os treinadores deram sinais de querer animar a tarde para quem se tinha deslocado ao estádio. Num onze sem trinco, os azuis e brancos apresentaram-se com um 4-2-3-1 com Otávio a dar continuação ao bom momento de forma dos últimos jogos e Brahimi e Corona a terem ordem para improvisar nas alas. Do lado contrário, Vasco Seabra apresentou uma equipa com algumas poupanças, mas onde a indicação de tentar ter bola no meio campo era clara. Dados lançados para um início que confirmou os bons augúrios.

Se o início demonstrou um Porto com o natural domínio territorial das operações, cedo o Paços de Ferreira mostrou que podia fazer estragos. Mais vale cair em graça do que ser engraçado, já diz a sabedoria popular, e os jogadores da Capital do Móvel fizeram por escapar a esse epíteto. Pelo menos nos primeiros 30 minutos.

Olhemos por isso para os 60 segundos que se desenrolaram entre o minuto 14 e 15, com duas oportunidades de golo flagrantes para os pacenses. Phellype e Andrézinho estavam a dar boa conta de si e as triangulações dos forasteiros geravam ecos de insatisfação da bancada do Dragão. Insatisfação que naturalmente aumentou de tom com o golo do Paços de Ferreira. Jogada rápida, remate de Andrézinho, desvio em Ricardo Valente e bola no fundo das redes de Casillas. Nulo desfeito à meia hora de jogo.

Mas, quando nada o fazia prever, o Paços de Ferreira caiu de graça. Os castores perderam clarividência e permitiram que os dragões partissem em força em busca do prejuízo. Com sucesso, logo passado cinco minutos. Cruzamento de Corona a que o capitão Herrera, o patinho feio dos adeptos, respondeu afirmativamente com a cabeça. Nulo reposto, como mandam as regras, de cima para baixo. Mais três minutos e a reviravolta estava consumada. Brahimi viu-se envolvido num lance duvidoso na grande área mas Artur Soares Dias não teve dúvidas. O argelino encarregou-se de converter o castigo máximo e colocou a bola no fundo das redes. 2-1 e tudo mais calmo no Dragão.

Tarde de regressos

A toada do jogo manteve-se até final da primeira parte e transitou para a segunda. Quem já não voltou foi Corona, substituído ao intervalo por Diogo Jota que entrou com tudo. Literalmente. Acha que estou a exagerar, caro leitor? Então, leia: 46 minutos, primeiro toque na bola após passe de morte de Herrera e golo. Com mais vontade não dava para entrar. Com o jogo aparentemente resolvido, houve espaço para momentos de bom futebol de parte a parte. As oportunidades repartiram-se e foi notório que a descontração contribuiu para uma abordagem mais arriscada. Menos perfeito no aspecto técnico, talvez mais animado para os espectadores.

Ainda houve espaço para o regresso de Danilo Pereira e para a entrada de André Silva, que ainda haveria de ter uma palavra a dizer em toda esta narrativa. Nomeadamente no regresso aos golos. Desta vez sem dúvidas, Cristian agarrou a camisola de Diogo Jota e o árbitro apontou para a marca de penálti. O jovem avançado português converteu e apontou assim o seu 16º golo na prova. Final de tarde mais animado no Dragão, apesar de alguns protestos audíveis contra a administração portista.

No final, vitória sem história num jogo que já não contava para a história. Essa, o Benfica selou-a ontem. Para o Porto, quarto ano consecutivo sem títulos e uma estrutura que mostra sinais de desgaste. Valha o tetra de golos.

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