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Aquela gentileza que é acabar a época ajudando à festa dos outros

O FC Porto fechou o campeonato com uma derrota em Moreira de Cónegos por 3-1, resultado que ajudou a equipa da casa a manter-se na 1.ª Liga

Lídia Paralta Gomes

ESTELA SILVA/EPA

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Durante a época o FC Porto foi desaproveitando as várias oportunidades de passar para a frente do campeonato que o Benfica lhe foi dando, pelo que este final de campeonato é assim uma espécie de FC Porto 2016/17 in a nutshell, aquela expressão que os nossos amigos anglo-saxónicos usam para fazer o sumário de algo. E tal como em alguns momentos da temporada, na última jornada a equipa de Nuno Espírito Santo fez a gentileza de ajudar à festa dos outros, neste caso à festa do Moreirense, que com a vitória frente aos dragões por 3-1 garantiu a permanência na 1.ª Liga - não sem um pouco de drama à mistura, com mãos na cabeça, olhares preocupados e smartphones no banco para acompanhar o que acontecia nos outros campos em que a manutenção se decidia.

Já sem nada a perder ou a ganhar em termos de campeonato, seria de esperar que Nuno Espírito Santo fizesse algumas alterações para a deslocação a Moreira de Cónegos, mas a verdade é que o único contemplado com uma oportunidade foi mesmo José Sá, o suplente de Iker Casillas, que ainda não tinha jogado um minuto sequer na liga. De resto, o técnico do FC Porto não brincou: exceptuando o guarda-redes, grande parte dos titulares mantiveram esse estatuto, num jogo em que a motivação para grandes correrias e esforços não estaria exatamente nos píncaros.

E com jogadores pouco motivados - e Rúben Neves de olhar perdido no banco de suplentes ao intervalo - cedo a opção se revelou furada. Apesar da muita posse de bola e das tentativas de Brahimi e Herrera em abrir espaços pelo meio, o FC Porto foi sempre presa fácil para a defesa de betão do Moreirense, cujo o plano passava por transições rápidas e contra-ataques mortíferos.

E na primeira parte foram logo dois. Logo aos 16 minutos, Rebocho cruzou na esquerda e Boateng fez tudo bem. Desde a impulsão até ao movimento no ar, o veloz avançado ganês de 20 anos cabeceou de forma perfeita, abrindo o marcador e o balão de oxigénio que o Moreirense precisava para se manter na primeira divisão.

Perante a desvantagem, o FC Porto manteve a sua ideia de jogo (posse, bola no centro, em Brahimi, Otávio e Herrera). O Moreirense fez o mesmo e à passagem da meia-hora, Frédéric Maciel tirou Marcano da jogada com um toque de classe na esquerda e a jogada só não deu golo porque o jovem português já não teve forças para colocar a bola na área.

FRANCISCO LEONG/Getty

Não foi à meia-hora, foi uns minutos depois. Talvez distraídos pelo drone que assentou arraiais nos céus de Moreira de Cónegos com uma faixa vermelha com o número 36, os jogadores do FC Porto esqueceram-se mais uma vez de defender Boateng, que pegou na bola ainda antes do meio-campo, passou por Felipe e deixou para Maciel, com o jogador formado no Olival a esperar pela saída de José Sá antes de concluir com frieza.

Dois para o Moreirense, zero para o FC Porto, festa nas bancadas do Comendador Joaquim de Almeida Freitas e um dragão sem forças para evitar mais um final feliz para Petit.

Drama e alívio

Na 2.ª parte a coisa mudou de figura. Pouco feliz com os primeiros 45 minutos da sua equipa, Nuno Espírito Santo chamou André Silva e Corona para os lugares de Herrera e Otávio e o FC Porto ganhou outro músculo e presença no ataque.

Soares teve a primeira oportunidade logo aos 50 minutos mas foi só aos 66’ que os azuis e brancos chegaram ao golo, após jogada de insistência que acabou com um toque circense de Maxi Pereira, que surpreendeu Makaridze.

A partir daí, começou o drama. Com o Tondela a vencer, o Moreirense sabia que mais um golo do FC Porto colocaria a permanência em perigo e o cenário ficou ainda mais negro quando Makaridze se agarrou à coxa, numa altura em que Petit já tinha feito todas as substituições. Petit não mais parou no banco e nas bancadas eram muitas as caras de preocupação e mãos na cabeça.

Mas Petit, que na última temporada já tinha operado o milagre da permanência em Tondela, manteve a cabeça fria. E enquanto Makaridze fazia o esforço de se manter na baliza, já o meio-campo se ia organizando e procurando colocar gelo na partida.

O drama acabou por durar menos do que seria de esperar, porque ao gelo dos companheiros do meio-campo, Boateng respondeu com mais uma assistência. Aos 83 minutos, e aproveitando um erro de Felipe (que esteve em tarde não), o ganês deixou para Alex que em plena área apenas teve de colocar fora do alcance de José Sá. Assim aconteceu e, de repente, voltou a festa às bancadas. A festa da manutenção que o Moreirense, o campeão de inverno, fez por merecer na reta final da liga.

E depois da Taça da Liga, esta é mais uma noite em que não haverá sono em Moreira de Cónegos. Quanto ao FC Porto, já só vale a pena pensar na próxima época.