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Espírito Santo e a espera de um milagre

Dificilmente o treinador será o mesmo para o ano. E há desequilíbrios financeiros que provocam fissuras no balneário. No dia em que Nuno Espírito Santo deixa o FC Porto, a Tribuna Expresso republica um artigo de 13 de maio

Isabel Paulo

Gonzalo Arroyo Moreno/Getty

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Ainda não se sabe como é que esta história vai acabar, mas é cada vez mais provável que Nuno Espírito Santo não continue no FC Porto. Fontes próximas do clube lançam alguns argumentos, desportivos e pessoais, o primeiro dos quais, claro, a falta de resultados se o FCP não for campeão. Mas também há quem o acuse de não mobilizar a equipa em momentos decisivos e de não conseguir juntar o balneário, lembrando os casos Brahimi, Layún e Adrián Lopez. Por outro lado, a relação entre NES e Luís Gonçalves, o novo CEO do clube em substituição de Antero Henrique, é nula. “Praticamente não se falam e, no último jogo, Luís Gonçalves só soube que Fernando Fonseca [miúdo da equipa B] ia jogar quando foi lançada a convocatória”.

Outras fontes dizem ao Expresso que Nuno Espírito Santo não se revê nos comportamentos de Luís Gonçalves, mais próximo dos do Porto dos anos 90, nem na linha agressiva que tem vindo a ser seguida pela comunicação do clube. Obviamente, o nome de Jorge Jesus circula nos corredores, porque é um nome querido de Pinto da Costa, mas nem este será consensual. Segundo um antigo dirigente portista, pelo que se tem percebido “Pinto da Costa não acerta um desde Vítor Pereira”. “Vive rodeado de uma corte acrítica e bem paga que não quer perder regalias”, diz o mesmo dirigente.

Ao Expresso Manuel Serrão, comentador portista, defende à viva voz que Nuno sem um troféu ou o título não tem condições para continuar, mas que não basta também mudar de treinador . “Pinto da Costa tem de explicar aos sócios que rumo tem para o clube. Não basta dizer que para o ano é o início de um novo ciclo, como disse há um ano, e depois chegar Depoitre para a frente de ataque e Boly como central”.

Mas os problemas portistas são mais abrangentes. À beira de quatro anos de jejum, os portistas temem ainda que a seca de títulos não fique por aqui, face aos galopantes resultados no vermelho. Há um desequilíbrio financeiro que provoca desequilíbrios no balneário (há prémios de jogo em atraso) e que resultam em problemas para treinador resolver. Depois de em outubro ter apresentado contas anuais negativas em €58,4 milhões, em fevereiro voltou a apresentar, no primeiro semestre da época, quase €30 milhões de prejuízo. Esta é uma situação financeira que obrigará a SAD a fazer mais-valias em jogadores até 30 de junho no valor de 100 milhões de euros para cumprir o fair play financeiro da UEFA.